O Mestre está de volta
Há quem dissesse que a fonte secou após ter assistido a
Kill Bill - Vol.1. Que o estilo do diretor de
Pulp Fiction tinha se perdido em meio à homenagens e litros de sangue falso, mesmo admitindo que Vol.1 era bom, aliás, muito bom, mas que não era um legítimo “Tarantino”.
Pois bem, como dizem os anunciantes dos produtos Tabajara, seus problemas acabaram. Para afastar aquela alma penada de que o estilo “cool” de
Quentin Tarantino tinha ido para as cucuias, acaba de chegar
Kill Bill Vol.2 e, embora o mestre
Pai Mei seja um dos melhores personagens que eu vi nos últimos tempos e tenha me rendido um bico rachado no cinema, o Mestre citado no título deste texto é ninguém menos que o próprio Tarantino.

Neste longa (que parece bem maior do que é e já falo sobre isso), o diretor reassume seu estilo único, aquele que é capaz de arrancar gargalhadas da platéia com uma simples tomada de um bloco de notas, sem contar alguns diálogos memoráveis e participações para lá de especiais (como a do velho
Samuel L. Jackson, que ainda arruma tempo para uma graça ou outra na pequena capela de El Paso). Tudo isso aliado ao “crossover” mirabolante promovido por Tarantino entre a gama de personagens criados por Q e U (iniciais de Quentin e Uma), que tornaram-se instantaneamente clássicos, e outros personagens que já existiam, como no caso do já citado Pai Mei, um sádico mestre de Kung-Fu, capaz de matar um oponente com apenas cinco toques no corpo do infeliz (personagem que já aloprava como vilão nos filmes orientais desde a época em que Jet Li ainda usava fraldas). Desta vez, o baixinho de barba branca com talento ímpar para arrancar olhos, faz o papel de tutor da Noiva (
Uma Thurman), num treinamento de artes marciais que já vale o ingresso. Vale lembrar também que
Hattori Hanzo (personagem interpretado pelo eterno
Sonny Chiba e que também existe desde outros tempos em séries japonesas antigas) deu sua palhinha no
Vol.1.
Mas nem só de chineses e japoneses vive o mais novo clássico de Quentin Tarantino.
Michael Madsen na pele do escroto
Budd mostra porque seus personagens são os mais durões e o nêmesis da Noiva no DIVAS (Esquadrão de Assassinos Víboras Mortais), a assassina de tapa-olho
Elle Driver (Daryl Hannan), sai melhor que a encomenda, roubando a cena numa das seqüências de luta mais bacana dos últimos tempos. E, claro, temos
Bill, afinal, o que seria de um filme chamado
Kill Bill - Vol.2 sem o Bill, certo? O ator pau-pra-toda-obra
David Carradine não chega a mostrar o quão durão poderia ser, decepcionando um pouco na luta final, mas algumas das melhores cenas do filme são protagonizadas por ele (justamente as cenas que amarram as pontas soltas deixadas pelo
Vol.1, como o motivo pelo qual Bill mete uma bala na cabeça loira de sua amada, por exemplo).
Como já havia dito, o segundo capítulo da saga peca pela sua lentidão para resolver certas questões, e isso faz com que o filme pareça muito mais longo do que já é (136 minutos) mas, se analisarmos bem,
Jackie Brown também é bem arrastado e nem por isso decepciona.
Essa mudança brusca no estilo do primeiro para o segundo filme provou mais uma coisa: aquela história de que trata-se do mesmo filme e que foi feito em duas partes porque ficou grande demais na edição, é balela. Isso acaba sendo visível em
Vol.2 que, embora seja uma continuação direta de
Vol.1, acaba impressionando e reafirmando Quentin Tarantino no primeiro escalão. Não que o primeiro seja ruim (o que não é, eu, por exemplo, adorei), mas o segundo é ainda melhor. ¤