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Nós vimos I: Kill Bill 2
Por Leonel Dorkboy — Quarta, 6 de outubro de 2004
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O Volume 2 é tão bom quanto o Volume 1?
Eis que chega o Volume 2 daquele que se tornou o meu filme preferido de todos os tempos! Alegria!
Bem, todo mundo ficou esperando um tempo enorme por esse filme, então é lógico que as expectativas estejam altas, e a chance de decepção também. O primeiro filme, desde o comecinho (com o “antigo provérbio klingon” e “My baby shot me down”) surpreendia, chocava, provocava risos ou simplesmente exclamações mudas. Deixava de boca aberta, tirava o fôlego, fazia a gente se perder numa avalanche de citações e seqüências antológicas. Então, pra começar de forma simples: o Volume 2 é tão bom quanto o Volume 1? A resposta é sim.
Eu não vou estragar o filme pra você aqui, mas só comentar o que pode ser comentado sem que se perca nada. Enquanto o Volume 1 era um trem desgovernado, com lutas imensas, chuveiros de sangue, seqüências em anime e outras maluquices, o Volume 2 é quase o oposto. Sim, continuam lá os personagens caricatos e bizarros (e podres de cool), continuam lá as lutas, mas tudo é mais... tranqüilo. Tarantino faz o filme com calma, saboreando cada cena, explicando cada trama e sub-trama até nós ficarmos satisfeitos. Enquanto o primeiro filme emociona pela velocidade e violência, o segundo provoca maior resposta por momentos de tensão, expectativa e pelos relacionamentos entre os personagens. Muita gente comentou, quando o Volume 2 saiu nos States, que ambos poderiam ser um só filme mais “compacto” de três horas de duração. Não deixa de ser verdade. No entanto, seria um filme menos “gostoso”, menos completo e menos diferente.
De uma certa forma, os dois volumes complementam um ao outro perfeitamente. O primeiro nos joga na cara esse universo maluco de kung-fu, katanas e assassinas com codinomes legais, e o segundo nos carrega pelo dia-a-dia desse tal universo. Sem o Volume 2, Kill Bill não teria tanta profundidade. Sem o Volume 1, não seria tão divertido. Além disso, Tarantino provou ser capaz de fazer cenas sentimentais e doces sem ser xarope, nem estragar a crueldade do filme.
Os personagens que são apresentados no Volume 2 são excelentes, e melhores ainda são os que Tarantino explora e explica no segundo filme. Bill é esmiuçado detalhadamente (e é impossível não gostar do desgraçado) e a Black Mamba aparece como uma personagem completa, além de ser a vingadora implacável que nós já conhecíamos (o que só aumenta o seu potencial de vingadora implacável: a luta de Mamba contra a California Mountain Snake é talvez a melhor dos dois volumes, em parte porque nós já conhecemos a fundo quem está fazendo todos aqueles truques e golpes cruéis).
Fatos aleatórios sobre o filme:
- Bill é fã de HQs, especialmente super-heróis.
- Acredite ou não, nós já conhecíamos o verdadeiro nome da Black Mamba.
- Tem uma cena de infiltração ninja ao som de Johnny Cash. (Ninjas e Johnny Cash! Quer coisa melhor do que isso?)
- Budd, o cara de chapéu de cowboy, é talvez o personagem mais legal (e mais sutilmente caracterizado) dos dois volumes.
É isso! Vão ver o filme! E não se sintam como a minhoca se sente em frente à águia! ¤
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