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Cinema prejudica as HQs?
Por Rafael Cardoso — Quarta, 6 de outubro de 2004
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Pode parecer estranho, mas confirmo a afirmação do título desta coluna. Debatia alguns dias atrás com outros grandes fãs de quadrinhos e chegamos a esta conclusão: o cinema prejudica os quadrinhos. Que o leitor entenda que ao dizer “cinema”, quero simplicar todas as mídias para os quais os super-heróis são adaptados, mas certamente de forma mais ampla podemos limitar TV e Cinema com os grandes vilões da história.
A verdade é que muitos leitores pensam erroneamente que grandes sucessos nestas duas mídias significam um aumento significativo nas vendas das revistas. Lendo a respeito do grande sucesso de Homem-Aranha 2, eu vi uma interessante declaração do Joe Quesada da Marvel Comics em que ele afirmava que este pensamento era errado, porque as pessoas que assistem ao filme compram as revistas, mas se deparam com um herói bem diferente daquele apresentado nas telonas, logo estes “leitores da moda” somem rapidamente. Isso é facilmente comprovado pelo exemplo da editora Abril, que esperava uma reação nas vendas por conta do sucesso do primeiro filme do Aranha, mas que abandonou o mercado, quando as vendas não cresceram suficientemente.
É claro que não podemos ser tão ingênuos a ponto de pensar que não existem ganhos reais para as grandes editoras. Os direitos para o filme e produtos licenciados devem garantir uma boa quantidade de dinheiro para as editoras e neste sentido estas mídias ajudam a manutenção da indústria dos quadrinhos, mas o meu objetivo aqui é mostrar que eles acabam prejudicando no CONTEÚDO dos quadrinhos.
Analisando esta lógica apresentada por Quesada, o que fazem as editoras? Obviamente elas tentam aproveitar o sucesso de suas marcas (vulgo heróis) em outras mídias. Para tanto, as revistas precisam ficar mais parecidas com as adaptações. Acho que vários exemplos cabem aqui. Matrix foi um filme que revolucionou o cinema e encantou multidões, influenciando diretamente toda uma geração de filmes. Reflexo disso: X-men, o filme, apresentou mutantes com uniformes ao estilo de Neo e Trinity. Reflexo nos quadrinhos: a fase dos mutantes nos quadrinhos escrita por Grant Morrison apresenta uma reformulação dos uniformes dos heróis, que seguem bem o estilo do filme.
Ainda não convencido? Que tal o desenho da Liga da Justiça? Um ótimo desenho, mas feito para crianças, ou seja, politicamente correto, logo temos mulheres, americanos, alienígenas e negros entre seus componentes. Reflexo nos quadrinhos: Kyle Rayner, Lanterna da liga há anos, abandona repentinamente o cargo para ser substituído por John Stuart, o Lanterna membro do desenho.
Em determinados casos, a mudança pode ser radical, como é o caso do Superboy, que foi totalmente modificado para se parecer mais com o Clark Kent da série Smallville (sim, para quem não sabia, o herói atualmente vive em Smallville sobre a tutela dos pais adotivos do Clark Kent dos quadrinhos). É claro que podemos ter surpresas positivas, como a série de quadrinhos Birds of Prey, mas de todo jeito acabamos sofrendo com estas mudanças forçadas e no mínimo estranhas.
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