Mais uma animação politicamente incorreta da DreamWorks Animation

Ação/aventura; comédia; infantil/família; crime/gangster; e animação. Essa é a classificação mais exata que o Yahoo.com poderia dar para
O Espanta Tubarões (
Shark Tale), um dos longas de animação mais politicamente incorreto que eu já vi. O problema está nos excessos: excesso de referências, de informação, de personagens ou de cores.
O filme é da
DreamWorks Animation com os mesmo produtores de
Shrek, contudo, não desbanca o grande ogro e sua trupe.
O espanta tubarões tem umas tiradas engraçadas e também lança mão de muitas influências, mas não consegue manter o ritmo o tempo todo. O excesso de cores, detalhes de “cenário” e de diálogo dispersam a atenção do espectador.
Outro tema recorrente é o hip hop.
Hans Zimmer (o mesmo de
Rei Arthur e
O último samurai) escolheu uma trilha sonora mais pop possível (sim, porque hip hop de Christina Aguilera, Sean Paul e Missy Elliot é pop), muitas vezes pouco aproveitada nas cenas. No entanto, os artistas de peso (mercadológico) vão sustentar o sucesso da trilha.

A referência à máfia italiana já está gerando críticas e processos contra o estúdio, mas se nem a
Disney conseguiu ganhar nada depois das piadas de
Shrek, essa mobilização também vai terminar em pizza, para felicidade dos italianos.
Os dubladores também são pops. O personagem principal,
Oscar, é dublado por
Will Smith (na versão legendada) e
Paulinho Vilhena (na versão dublada) – ambas as escolhas são óbvias, já que o perfil malandro do peixinho coincide com os dos dois atores. Oscar quer subir na vida da forma mais fácil possível, por isso não perde a chance de fingir que matou um tubarão para ganhar a fama de herói do coral. Mal sabe ele que o falecido predador natural é filho do chefe da máfia,
Don Lino, dublado por ninguém menos que o mais famoso mafioso hollywoodiano,
Robert De Niro. Destaque para o filho, digamos, “delicado” de Don Lino,
Lenny, dublado por
Jack Black.
Há ainda outros dubladores famosos na animação de vozes mais caras que a
DreamWorks poderia ter selecionado, com
Renée Zellweger,
Angelina Jolie e
Martin Scorsese (isso mesmo, até o diretor de
Ganges de Nova York empresta sua voz no filme). O melhor de tudo é como eles conseguiram caracterizar bem os peixinhos, tanto nos gestual quanto fisicamente, todos iguaizinhos aos atores que lhe emprestam a voz. Especialmente na hora que
Lola entra em cena, você tem certeza que vai ouvir a voz de Angelina Jolie.
Crianças que picham muros, tubarões homosexuais e peixinhos que só querem se dar bem. Esses são os personagens que, para as crianças, passam uma mensagem de redenção, humildade e perdão ao fim do filme. Já seus pais terão uma outra percepção da animação. É como se cada geração assistisse a um filme diferente, nesse sentido, a sutileza do roteiro funciona muito bem. O mais divertido vai ser quando essas crianças forem crescendo e entendo o filme de uma outra maneira. ¤