Nós vimos (e ouvimos): Metallica - Some Kind of Monster

Por Marcelo Tavela — Sexta, 1 de outubro de 2004

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Sad but true

Com mais de 90 milhões de álbuns vendidos, o Metallica é o principal pilar das bandas que surgiram na região da Bay Area, em San Francisco, durante a virada da década de 1970 para 1980, no que se convencionou chamar de thrash metal. Nos últimos discos, porém, o grupo tomou rumos diferentes, trazendo novos elementos, o que desagradou os fãs mais inflexíveis, que reclamavam da falta de petardos tensos como Battery ou Creeping Death. Nenhum admirador ortodoxo poderá reclamar de falta de tensão em Metallica – Some Kind of Monster.

O documentário relata os mais de 700 dias de gravação do último disco da banda, o seco St. Anger. Resumidamente, neste período o baixista Jason Newsted, que acompanhava a banda há 14 anos, saiu alegando limitações criativas; o vocalista e guitarrista James Hetfield foi internado em uma clínica de reabilitação; o baterista Lars Ulrich concluiu um tumultuado processo contra o site de downloads Napster, que, apesar da causa ganha, teve um impacto terrível na imagem da banda; um novo baixista teve que ser selecionado; e o guitarrista Kirk Hammett precisou de muito surfe e budismo para manter-se centrado.

Todos estes momentos são pontuados por matérias do MTV News sobre a banda, relembrando o que foi divulgado na época. A intimidade do Metallica e adentrada logo em seguida. Hetfield e Ulrich sempre foram os dois pólos da banda, e entram em choque diversas vezes durante o filme, exigindo bastante de Hammett como ponto de equilíbrio. O vocalista grita, mais de uma vez, que não consegue estar no mesmo ambiente que o baterista, que começa a desrespeitar algumas convenções do processo criativo da banda. Em uma delas, sai batendo a porta, e fica um ano sem aparecer no estúdio.

Antes disso, o Metallica contrata um terapeuta para retomar o companheirismo perdido, e as sessões rendem algumas das alfinetadas mais carregadas entre os dois líderes. Em um dos momentos mais polêmicos, o analista pede para Ulrich, tentando controlar seu ímpeto controlador, se reuna com Dave Mustaine, líder do morto e renascido Megadeth, expulso do Metallica pelo baterista há mais de 20 anos. Mustaine quase chora exclamando para Ulrich que, apesar do Megadeth, ele nunca superará ter sido chutado do Metallica. Parece que Mustaine não autorizou a veiculação do material gravado, o que indica que teremos mais Metallica nos tribunais ainda.

Nos estúdio, o produtor Bob Rock - do amado por muitos e odiado por outros muitos Black Album - tenta converter tudo isto para o disco, conseguindo em parte e se apresentando como consciência da banda. Ele fica responsável pelo baixo até a entrada de Robert Trujillo, que tem Suicidal Tendencies, Infectous Groove e Ozzy Osbourne no currículo.

Os diretores Bruce Sinofsky e Joe Berlinger se fixaram no microverso do Metallica, sem depoimentos exteriores, e expuseram os integrantes de uma forma corajosa. Mesmo sendo uma bela jogada de marketing, e após todos os traumas dos últimos anos, o Metallica, e especialmente o St. Anger, saem ganhando muito respeito. Eles ainda são uma das maiores bandas de rock´n roll que já passaram por este planeta. ¤

PS: o filme ganhou uma horrível tradução para português - Metallica – A Música e o Monstro - que esvazia o sentido original, mas dá alguma esperança de que seja lançado por aqui.




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