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Paixões Cinematográficas
Por Maria Luiza Porto — Quarta, 29 de setembro de 2004
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Acho que todo mundo já teve um amor cinematográfico. Calma, esta não é uma coluna sobre relacionamentos. Me refiro às paixões que são despertadas pela telona e que acabam por transcendê-la. Aquele personagem que de tão cativante te faz sair do cinema suspirando, te carrega até em casa e ainda embala o teu sono à noite. Você torce para que a vida imite a arte e aquele lindo mocinho pule fora da tela direto para seus braços, assim como em Rosa Púrpura do Cairo de Woody Allen.
Uma das minhas paixões cinematográficas mais antigas é Billy, em O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas de Joel Schumaker, personagem de Rob Lowe. Billy é um saxofonista irresponsável e adorável. O típico canalha irresistível que seduz as mulheres pelo seu olhar desprotegido e seu jeito de moleque sem-vergonha. A escalação de Lowe para o papel não poderia ter sido mais apropriada. Foi tiro e queda, digo, mais tiro do que queda: uma flechada certeira no peito de todas as adolescentes da geração de 80.
Ainda nesta década, outro personagem que alimentou meus precoces devaneios infantis foi Marty (o fofíssimo Michael J. Fox) de De Volta Para o Futuro de Spilbergh. Ao contrário de Billy, Marty era o mocinho: correto, corajoso, carismático e fiel. Não se esqueçam de que ele viajou no tempo só para reestruturar sua família, que meigo. Fazia um tipo brigão, malandrinho. Se até sua mãe se apaixonou por ele no filme o que diriam de nós, reles espectadoras mortais. That’s the power of love...
Now I’ve had the time of my life... Pode ser brega ou idílico, pode ser o clichê mais batido, mas eu daria tudo para ser aquela nariguda da Jennifer Grey só para bailar um tango com Patrick Swayze em Dirty Dancing. Johnny era dançarino, mas era muito macho. Era pobre, mas era digno, não levava desaforo para casa. Já ensaiei muita dança com meu travesseiro por causa desse filme. Fiz oito anos de ballet e nunca encontrei um Johnny para me rodopiar daquele jeito, enfim, coisas da ficção. E com um professor daquele qualquer perna-de-pau viraria uma Ana Botafogo em dois tempos. No I’ve never felt like this before...
Foi difícil escolher um só, dentre os vários personagens apaixonantes que Johnny Depp interpretou no Cinema, mas Gilbert Grape venceu. Aliás, nem sei se são mesmo os personagens que nos fazem suspirar ou se é o próprio Depp, que além de ter um sex appeal fora do normal, ainda é ótimo ator, engajado e discreto. Como a lista está bem democrática, nada mais justo do que reservar um lugar para os tímidos. Gilbert Grape é um rapaz que se tornou responsável pelo bem-estar de sua família após a morte de seu pai; como filho mais velho cuida de tudo e de todos, mas sem abdicar de seus sonhos. Sua rebeldia reprimida que o torna fascinante, é um personagem complexo. Ah! Se todos os tímidos escondessem tanta sensibilidade...
Como sempre deixo o melhor para o final, o meu queridinho da lista é, sem dúvida, Dickie Greenleaf do filme O Talentoso Ripley de Anthony Minghella. Interpretado por Jude Law, Dickie é a personificação do ideal de homem interessante: ousado, livre, vibrante, sofisticado, culto, sexy e jazzófilo. E ainda mora na costa da Itália, tem uma lambreta, canta, toca e deu o nome ao seu barco de Bird (em homenagem à Chalie Parker). Como nada é perfeito, Dickie cultiva alguns desvios de caráter, mas nada grave, apenas fruto da educação de sua família rica e desestruturada. Não é a toa que Ripley (Matt Damon) ao invés de tentar convencê-lo a voltar para casa, muda de objetivo e alimenta o delírio de se tornar o próprio Dickie. O cara é bom mesmo.
O espaço da coluna, infelizmente, é menor do que o do meu coração. Por essa razão, tive que preterir algumas pérolas fictícias como: Harrison Ford em Indiana Jones, Robert Redford em O Nosso Amor de Ontem, Keanu Reeves em Caçadores de Emoção, Ralph Fiennes em Paciente Inglês (na fase antes do acidente, por favor), Gael Garcia Bernal em O Crime do Padre Amaro, John Malkovich em Ligações Perigosas, Ethan Hawke em Antes do Amanhecer , Jeff Bridges em Susie e os Baker Boys e por aí vai... Sempre que posso atualizo meu harém psíquico. São muitos personagens fascinantes que marcaram época na vida e no imaginário do público feminino cinéfilo. Porém, como já disse Lulu Santos e vale a pena ressaltar: “Não leve o personagem pra cama, pode acabar sendo fatal, então vamos deixar combinado, aqui é a vida real”.
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