Já é duro como cidadão conviver com acontecimentos inusitados, como uma floresta que cresce do dia para a noite em pleno centro da cidade e saber que tudo foi obra de uma linda ruiva em trajes pequenos. Em outro ficar preso numa nevasca em pelo verão. Ou talvez simplesmente não poder beber água o dia inteiro porque um palhaço colocou uma química que poderá matá-lo de risadas a qualquer instante. Este é o dia a dia de Gotham City, cidade de uma lenda viva, um vigilante que usa a noite e o medo como sua arma, mas ele é um só, assim não pode estar em todos os locais ao mesmo tempo. Aí que entra o papel da polícia.
Proteger e servir, é a missão dos homens e mulheres que se arriscam todos os dias, mesmo que eclipsada pela sombra dos heróis mascarados. Comparado a sucessos de TV como
NYPD: Blues (Nova York Contra o Crime) e
Law and Order,
Gotham Central vem roubando a cena ao mostrar o cotidiano dos detetives da Unidade de Crimes Prioritários (Major Crimes).
Os responsáveis por essa série são dois aclamados roteiristas
Greg Rucka (
Ultimate Daredevil & Elektra, Batman: Terra de Ninguém, Batman: Evolution, e
Queen & Country ) e
Ed Brubaker (
Mulher Gato, Sleeper e
Batman: Gotham Noir) e o artista
Michael Lark (
Gavião Negro, Superman: Guerra de Mundos e
Terminal City) que com sua arte retro é capaz construir o clima perfeito para o desenrolar dos acontecimentos, ou seja, o noir.
Muita coisa mudou. O comissário Gordon se aposentou e agora dá aulas de criminologia na Universidade de Gotham, Bullock foi afastado por ter se relacionado com a Máfia, mesmo que por um motivo nobre, Montoya saiu do armário. Enfim a maioria dos personagens passou por uma reformulação com intuito de dar a eles características mais profundas e humanas, enquanto outros foram inventados para completar e dar maior veracidade ao título, tais como, Comissário Michael Akins, Capt. Maggie Sawyer, chefe do departamento, Sgt. Jackson "Sarge" Davies, o segundo em comando, o Det. Crispus Allen, novo parceiro de Montoya, entre outros.
Para os roteiristas, o mistério é apenas uma ferramenta, o interessante mesmo é ver os relacionamentos que a investigação revela, as profusões de sentimentos entre policias, vitimas, testemunhas e suspeitos. A maioria dos crimes é resolvida com trabalhos forenses ou fazendo as perguntas certas às pessoas corretas, a maioria dos culpados de homicídios surgem em 48 horas, isto é, quando resolvidos; este é normalmente o período em que as pessoas estão nervosas e as pistas ainda estão quentes. O segredo do jogo muitas vezes é saber quem falou com quem e como pressionar essa pessoa, mesmo que sejam necessárias muitas horas de investigações, interrogatórios e algumas dezenas de rosquinhas.