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A notícia que nunca li
Por Tiago Cordeiro — Terça, 28 de setembro de 2004
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Lá se vai quase um ano em que escrevo aqui no Sobrecarga. Com alguns meses a menos, estaria fazendo aniversário como colunista também, mas o que importa é a data para o site e seu maior objetivo: o de informar vocês, estimados leitores, do que está acontecendo na cultura pop. Infelizmente, nem sempre conseguimos falar de tudo o que gostaríamos.
Nesse tempo todo em que escrevi para cá, jamais vi a notícia que adoraria (e ainda anseio): o lançamento de uma nova revista de história em quadrinhos nacional, de preferência com personagens sérios. Absolutamente nada contra personagens brilhantes como Níquel náusea e cia. (acho Laerte genial, como prova em suas tiras do Overman), mas sinto falta de uma tentativa original para o gênero no Brasil, que só possui representantes plagiados de personagens norte-americanos (como Escorpião, Raio Negro e etc.) e outras coisas toscas como a extinta (graças a Deus) As aventuras do Mestre Kim
A maioria dos críticos dessa idéia defende que o Brasil é um país de humor. Que uma tentativa de se fazer algo sério é “coisa de americano” e etc. Passam longe de lembrar que excepcionais roteiristas do mercado norte-americano não nasceram na terra do Tio Sam (citando a trindade divina: Neil Gailman, Alan Moore e Grant Morrison) e esquece de personagens sensacionais como Juiz Dredd e outros europeus. Essa turma se lançasse esse mesmo olhar sobre o cinema, julgaria que a produção nacional só é boa quando se restringe às chanchadas. Além disso, muitos personagens de mangás (como Akira) são o quê senão versões nipônicas de super-heróis sem cueca para fora da calça?
Aqui no Brasil o sucesso comercial das revistas Holy Avenger (que ganhará uma versão animada) e Victory (sucesso nos EUA) representaram um alento para essa minha ambição. Infelizmente, não se ouviu de editoras como a Panini, Abril ou Globo (citando três gigantes do mercado nacional) qualquer intenção de tentar explorar esse sucesso com o lançamento de novos títulos. Longe de mim dizer a profissionais com tanta experiência do mercado o que devem ou não fazer, mas o uso de leis de incentivo à cultura nacional (que o cinema, com toda razão, usa e abusa) pode ser uma saída para começar a formação de um público consumidor. Nada contra a Turma da Mônica e revistas do gênero, mas a nona arte pode ter muito mais relevância em solo tupiniquim.
Na semana passada uma discussão foi apimentada no Fórum da Panini. Thales Eduardo Martins (mais conhecido como Ultrablog no site Melhores do Mundo. Com o tema “HQ nacional na Panini já” o leitor e blogueiro pede que a editora que publica Marvel e DC no país lute também para publicar quadrinhos nacionais. Não sei se a Panini poderia ou deveria (a editora receberá toda atenção possível deste colunista, caso queira se manifestar). Mas, é fato que uma campanha pela revitalização do mercado de quadrinhos nacional está longe de ser impossível. Séria ou de humor, porquê não um gibi com vários autores?
Talvez eu esteja apenas sonhando. Mas, que seria uma boa notícia...Ah, como seria!
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