Live at Benaroya Hall: Pearl Jam em versão acústica

Por Mariana Zanini — Segunda, 27 de setembro de 2004

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Após 15 anos de uma carreira registrada em dez CD´s (sem contar os singles e os não-originais) o Pearl Jam, única banda remanescente do movimento grunge, resolveu lançar seu segundo álbum acústico, Live at Benaroya Hall. Ansiosamente esperado pelos fãs, o show realizado em prol da instituição norte-americana Youthcare foi gravado, como mostra o subtítulo do CD duplo, em 22 de outubro de 2003, reunindo canções já consagradas e raridades em versão desplugada.

Para quem aguardava há 12 anos por um álbum mais intimista da banda (o primeiro foi o MTV Unplugged, gravado em 2002 e nunca lançado oficialmente), esta é uma ótima oportunidade de conferir como o Pearl Jam trabalhou suas músicas fora do estúdio – e dentro da sofisticada sala da orquestra de Seattle, terra natal dos rapazes.

Abrindo com a seqüência introspectiva Of the girl, Low Light e Thumbing my way, o primeiro disco decola pra valer na quarta música, com a belíssima interpretação de Thin air, do álbum Binaural e a raridade Fatal, presente no último CD da banda, Lost Dogs, de 2003. Outros momentos que merecem destaque na primeira parte do show são a música Man of the hour, feita para a trilha sonora do filme Peixe Grande, de Tim Burton; a já consagrada Off he goes e o cover de I believe in miracles, que apesar de não muito inspirado, rende uma boa homenagem aos ídolos e amigos da banda, Ramones.

Passando para o segundo CD, Eddie Vedder e companhia desfilam a quase desconhecida Down; o ótimo trabalho com banjos em Can´t Keep; a romântica Black (curiosamente a única retirada do clássico Ten, com um emocionante coro do público no final), e a dramática Crazy Mary. A lista de homenagens se completa com mais duas versões para sucessos de ídolos: a levada country bacana 25 minutes to go, de Johnny Cash, e como não poderia faltar, uma canção-protesto de Bob Dylan, Masters of war, magnífica no vocal grave de Vedder e que, neste show, fica claramente endereçada a George Bush.

Fechando a apresentação, como de costume, a empolgante Daughter e a eterna lado B Yellow Ledbetter. Inclusive, esta última, juntamente com Nothing as it seems, é a grande responsável pela avaliação negativa do álbum pelos críticos e defensores do puro acústico, em função do solo de guitarras distorcidas. Não há como negar que o Pearl Jam usou este recurso, mas numa época em que a noção de acústico já ficou totalmente vaga com o “boom” dos Unplugged MTV, a banda não cometeu nenhum pecado mortal ao adicionar os solos rasgados em uma ou outra faixa, conferindo um toque pessoal.

Polêmicas à parte, Eddie Vedder mostra-se um carismático anfitrião ao conversar com a platéia, contando algumas histórias (como quando explica o processo da composição de Man of the hour), e no arrepiante momento em que deixa o microfone para que o público, em uníssono, complete a letra de Black. Uma face comportada do vocalista, que já passou da fase de quebrar guitarras e dar “moshes” no meio da platéia e agora dedica-se a detonar a imagem já destruída do presidente norte-americano. Inclusive, vale lembrar que dia 01 de outubro o Pearl Jam inicia uma turnê pelos Estados Unidos junto com R.E.M., Bruce Springsteen e Dave Matthews Band para fazer uma propaganda contra a reeleição de Mr. Bush.

O registro visual de Live at Benaroya Hall já está disponível em DVD, mas ainda não tem data de lançamento no Brasil – para o desespero dos fãs mais apressadinhos. E para quem quiser conferir o que há dentro da caixinha laranja, é bom avisar: em 15 anos de estrada, o Pearl Jam nunca esteve tão bem. Seja com as guitarras na tomada, ou fora dela.

Links:
Restless souls – Página brasileira sobre o Pearl Jam, com biografia, letras, traduções e discografia.
Dying Days - Biografia, curiosidades e imagens da banda.




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