Rei Arthur

Por Douglas Donin — Terça, 21 de setembro de 2004

Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!

Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.

Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.

Volte sempre!

Poucas vezes o cinema gerou épicos tão inexpressivos quanto “Rei Arthur”. A nova releitura do mito do primeiro grande rei da Bretanha tem a capacidade de ser esquecida instantaneamente assim que as luzes do cinema voltam a ligar, desaparecendo da nossa mente como em um passe de mágica de Merlin – quando este era um mágico, ainda.

Antes o filme fosse ruim: pelo menos deixaria alguma impressão. Mas nem isso. “Rei Arthur” não é um filme que possa ser considerado ruim, como também não é um filme que possa ser considerado bom. Se permanecer na história do cinema, será como um dos pontos altos na arte de fazer filmes puramente comerciais, sem paixão, sem intensidade: “Rei Arthur” tem gosto de rotina.

Pode ser efeito da mera proximidade de filmes realmente grandiosos, que também possuíam a palavra “Rei” no título, mas a impressão que “Rei Arthur” deixa é de que trata-se de um filme menor, uma obra relativamente minúscula, que não merece o marketing que possui. Aliás, um marketing que não faz jus ao clima do filme (pretensamente realista), e que tenta nos fazer acreditar que trata-se de uma obra realmente épica, grandiosa, gloriosa, ou no mínimo uma aventura enérgica e eletrizante.

E, realmente, de glorioso “Rei Arthur” não tem nada. Assim como em “Tróia”, aqui o roteirista tenta criar uma plausibilidade histórica, enxugando o mito ao seu mínimo existencial. No entanto, se em “Tróia”, este mínimo já garantia uma boa história (a história da guerra em si, a parte “meramente humana” da saga contada por Homero), aqui o material que sobra é insuficiente. “Tróia” foi apenas uma redução, uma simplificação. O roteiro do épico grego teve apenas cortes, não adições, e, mesmo assim, manteve uma imponência. Enchia os olhos.

Já “Rei Arthur” não tem esta característica. O “mínimo existencial” aqui – a base do roteiro - é um punhado de informações desconexas, controversas e esparsas sobre o homem que supostamente deu origem à lenda de Arthur. Para que isso virasse um filme, o roteirista teria de colocar camadas e camadas de mera suposição e especulação no roteiro.



Isto, somente, não impediria de transformar “Rei Arthur” em um filme agradável. O problema é que estas adições foram equivocadas, e o roteiro adotou um escopo miseravelmente humilde e pequeno, populando a história com acontecimentos e fatores menores, e diminuindo imensamente os personagens que nos acostumamos a considerar grandes heróis, e os fatos gravados na nossa mente como lendários.

É aí que moram (quase) todos os pecados do filme. Na ânsia de ser historicamente plausível, “Rei Arthur” abdica voluntariamente – e de maneira neurótica – de tudo o que possa parecer glorioso, grandioso, exagerado, lendário, para enfatizar que aqueles personagens realmente existiram, e que realmente foram simples seres humanos. Como se a cada cena o roteirista afirmasse, orgulhoso: “Sabem todo aquele mito grandioso que sobreviveu a séculos? Vejam como ele surgiu de um fato pequeno e insignificante!”

Neste sentido, “Camelot” foi substituída por um simples forte sujo e fedorento na Muralha de Adriano, construção romana destinada a frear os ataques bárbaros ao sul da Bretanha, ocupada pelo Império. As próprias construções têm a aparência de velhas e funcionais, como seriam realmente nos confins dos domínios de Roma em sua época de decadência – nada impressiona.

Continuando a desconstrução do mito, os Cavaleiros da Távola Redonda são apresentados como guerreiros maltrapilhos estrangeiros que estavam terminando o período de serviço obrigatório ao Império. Temos aqui um mongol (metido a samurai), um celta, um germânico, todos análogos à condição de escravos, apenas tratados com benevolência pelo general romano Artorius – o Rei Arthur (interpretado com uma cara-de-banana inédita por Clive Owen, a pior escolha possível). De maneira semelhante, Merlin é um simples líder picto (os pictos eram bárbaros selvagens da Bretanha), assim como Guinevere, uma selvagem encontrada em uma câmara de turtura cristã, por quem o general Artorius se apaixona.

É neste ambiente nada glorioso que a história inicia. História, aliás, confusa e sem sentido, sem objetividade narrativa: quando o “plot” está para ser resolvido, toma inexplicavelmente uma direção completamente nova. Sendo assim, o enredo não apresenta uma grande e estruturada história, mas sim, duas histórias pequenas e desconexas, cometendo o terrível erro de não amarrar os três atos com uma única linha narrativa. A aparente “grande missão” dos personagens encerra no segundo ato, e inicia uma nova no terceiro.

Na “primeira história”, Arthur e seus companheiros têm de atravessar o território dos pictos bretões – aqui chamados de “Woads” (na verdade, “woad” eram as pinturas cerimoniais dos bárbaros) – para resgatar, por ordem do Papa, uma família romana que vive do lado norte da muralha, antes que esta seja capturada pelos saxões. Aliás, os saxões – contra qualquer expectativa lógica e geográfica – resolveram dar a volta na Bretanha e começar a invasão pelo norte da ilha...


Cumprindo esta primeira demanda, somos introduzidos – lá pelos dois terços de filme – à história principal: a luta de Arthur para deter os saxões. É aqui que supostamente a ação e as grandes batalhas ocorreriam, quando Arthur e seus aliados enfrentam os saxões às portas da Muralha de Adriano.

Sem querer ser excessivamente destrutivo, mas, para quem viu “O Senhor dos Anéis”, a tal “grande batalha” parece uma simples escaramuça. Além de parecer sem importância – se em “O Senhor dos Anéis”, estava em jogo o destino do mundo, aqui, Arthur decide teimosamente defender um território sem valor para os romanos, que eles mesmos haviam abandonando e evacuado – a batalha não tem um vigésimo da grandiosidade, intensidade, tensão e clareza daquelas na obra de Peter Jackson.

Nenhum dos personagens possui carisma suficiente - exceção talvez feita ao guerreiro Bors. O caso de amor entre Lancelot - personagem adicionado apenas recentemente à lenda - e Guinevere não passa de um simples e isolado olhar, Merlin não faz absolutamente nada, e a própria Guinevere é um personagem terrivelmente inconsistente, uma hora portando-se como uma selvagem, outra como uma princesa romana, uma hora frágil e mutilada em uma câmara, dias depois lutando como a Xena.

Concluindo: é uma pena que um dos maiores mitos do mundo ocidental tenha sido reduzido a um escopo minúsculo, praticamente uma briga de quintal sem importância nos confins abandonados do Império Romano, tudo na ânsia paranóica de humanizar a lenda. Por tudo isso, “Rei Arthur” é um filme insípido, inodoro e incolor, que seria muito mais adequado se fosse produzido como uma mini-série para a HBO. Pode entretê-lo por algumas horas, mas não vai mudar sua vida de maneira alguma.


Na próxima semana... um filme REALMENTE IMPORTANTE sobre Arthur, o Rei dos Bretões, Destruidor dos Saxões: Monty Python e o Cálice Sagrado




VEJA TAMBÉM...
17/09 > Nós vimos: Rei Arthur
17/09 > Rei Arthur
13/05 > Confira o pôster final de Rei Arthur
23/12 > Novo trailer de King Arthur

 

COMPRAS
Informática > Notebook Celeron M550 2GB 120GB 1.3MP DVDRW 15" Linux - Kennex
Livro > O Amuleto (Nora Roberts)
CD > The Cool (Lupe Fiasco)
DVD > De Repente É Amor + Alias: 1º Disco - 1ª Temporada (Ashton Kutcher, Amanda Peet)
Game > Game Homem de Ferro PS3 + Álbum de figurinhas
Informática > CPU Core 2 Duo E7200 4GB 500GB DVD Linux + LCD19" 913FW Black - AOC
Livro > O Último Adeus de Sherlock Holmes (Arthur Conan Doyle)
CD > Mail on Sunday (Flo Rida)

 

 


Superman - O Retorno
DVD duplo
Smallville
5ª Temporada - 6 DVDs

Carros l Os Sem-Floresta
DVD

Os Melhores Quadrinhos

Mythology: The DC Comics Art Of Alex Ross

Cirque Du Soleil:
Saltimbanco l La Nouba
DVD

Desperate Housewives
2ª temporada - 7 DVDs
Monk
1ª temporada - 4 DVDs

House l Grey's Anatomy
1ª temporada

Os Cavaleiros do Zodíaco:
Hades - Vol. 3 e 4

DVD duplo

Battlestar Galactica
1ª Temporada - 5 DVDs

Gravadores de DVDs
A partir de R$ 599,00
XML
© 2003 SOBRECARGA LTDA. Todos os direitos reservados Powered by Drupal. Uniela Unium. Tecnologia