Ecos do Onze de Setembro

Por Tiago Cordeiro — Segunda, 13 de setembro de 2004

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Já escrevi por aqui que não gostei do filme A Vila de M. Night Shyamalan. Apesar disso, a película ganha relevância em um momento que as eleições norte-americanas começam a atingir seu auge. Uma pequena trama sobre um vilarejo enclausurado em meio a ameaças que não podem ser vistas e sequer citadas está longe de ser somente a sinopse de uma ficção. A semelhança com a própria situação dos EUA é quase óbvia.


Após a primeira guerra mundial, o expressionismo alemão se preocupou em metaforizar todo claustrofobismo existencial que a sociedade alemã vivia depois da perda das ilusões de glória. Guardadas as devidas proporções, A Vila é também apenas mais uma história que traz ecos da situação angustiante do país. Os habitantes são um retrato fiel dessa parcela de medo do que está lá fora e não pode ser visto. Afinal de contas, tudo fica muito mais medonho quando não sabemos como virá, de onde virá e o que virá (uma criatura mítica, homenzinhos medrosos, um avião e etc.). Mas, não é de hoje que essas metáforas surgem.

Com muito menos alarde e muito mais competência um certo David Fincher (que já havia chamado a atenção do mundo com Clube da Luta) dirigiu em 2002, O Quarto do Pânico com um diferente clima claustrofóbico. Dessa vez a ameaça não é de habitantes que se isolam em sua vila para viver em paz e com medo apenas do que vem de fora, mas uma mãe e filha que se descobrem aprisionadas em um cômodo projetado para proteger ao máximo o habitante. As duas acabam aprisionadas no quarto e precisam interagir com os seqüestradores se desejam sair vivas dali. Presas no seu próprio sistema de segurança e ainda forçadas a lidar com seus algozes.

Entre os dois filmes, dois anos se passaram. A diferença que marca o clima de aprisionamento entre um e outro não abarca simplesmente as dessemelhanças entre os dois cineastas. Se antes, os norte-americanos se sentiam reféns de sua própria cerca, agora, mais do que nunca, o sentimento é muito mais de uma vida tranqüila que pode ser ameaçada a qualquer momento por terroristas, criminosos e etc que evitamos dizer os nomes ou mesmo pensar muito no assunto.

De onze de setembro para cá, tivemos o atentado em Madrid e o recente caso de crianças mortas por terroristas chechenos. Três atentados e dois filmes que me chamaram a atenção por sua relação com essa sensação de angústia e medo. Mas, não dá para ignorar outros estilos como o do O Dia Depois do amanhã onde a expectativa é de um final muito mais sinistro. Mas a tentativa de prever o nosso fim de forma comercial é muito mais fácil do que retratar, de um jeito tão sutil, nosso presente, que não anda nada bem fora das telonas.




COMPRAS
Livro > Sem Medo de Viver: Redescobrindo Uma Vida de Tranquilidade e Paz ... (Max Lucado)
DVD > DVD Os Doze Trabalhos de Asterix
DVD > DVD Mistério no Lago
Livro > Sem Medo de Viver - Audiolivro (Plugme)
DVD > DVD Vira-Lata - Vol.5
DVD > DVD A Vila (Sigourney Weaver, William Hurt, M. Night Shyamalan, Bryce Dallas Howard, Adrien Brody)
DVD > DVD As Máqs. da II Guerra Mundial: Fuzileiros Navais Americanos - Vol.
DVD > Blu-ray Clube da Luta (David Fincher, Brad Pitt, Edward Norton)

 

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