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Quanto custa a música que você ouve?
Por Paula Machado — Sexta, 10 de setembro de 2004
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Essa semana mesmo ouvi dizerem que a música não está em crise, mas sim seu formato, o CD. Não acho o problema envolva apenas o formato, pois ele não justifica o preço abusivo dos álbuns de música, e esse sim é o principal motivo da crise.
Hoje passei nas Lojas Americanas e o setor de CDs/DVDs me atraiu pela grande quantidade de pessoas. Como não era véspera de Natal nem nada, entrei para conferir o motivo do reboliço. A loja estava com vários desses produtos em promoção Best Price, a mesma que costumam fazer no site, mas sem o triste acréscimo de taxa para frete. Foi então que eu percebi claramente que as pessoas não estão apenas renegando os originais, a questão é fundamentalmente econômica.
Confesso que senti até um pouco de culpa, pois só compro álbuns de artistas que sou realmente fã; do contrário, não sinto um pingo de remorso em “queimar” uma cópia pra mim. Por exemplo, minha amiga completou a coleção do Jamiroquai com um CD de R$ 9,90 hoje, esse é o tipo de dinheiro bem empregado. O mercado musical vem tentando se reciclar: coloca faixa bônus, promete CDs com um lado B composto por DVD, etc. Mas enquanto a Fnac achar que promoção é vender um lançamento a R$ 23,90, isso não vai dar em lugar nenhum.
Eu sou de uma geração que teve a vida muito facilitada pela internet, isso é verdade. Com 15 anos, mais ou menos, já buscava minhas músicas no Napster ao invés de comprar um CD inteiro por gostar de uma única faixa. Depois veio o Audiogalaxy, themusiclover.com, audiofind.com (era esse mesmo o nome?), Imesh, Kazaa e, finalmente, o Emule (a mulinha que de vez em quando empaca, mas nunca nos deixa na mão). A sensação é que, não importa quantos desses programas sejam interditados, sempre vai surgir outro para salvar o dia.
O governo americano vem tentando impedir as conexões peer-to-peer (p2p) e já invadiram até algumas casas e confiscaram alguns PCs. Todos eles usavam o sistema Direct Connect, que só permite a adesão de usuários que tenham mais de 100 GB para compartilhar. Não tenho nada contra essas conexões. Sei que são as maiores responsáveis por pirataria, mas tenho um amigo que compartilha shows do Dave Mathews pelo mundo e a gravação é autorizada pela própria banda. Isso sim é uso inteligente da tecnologia.
A parte positiva dessa história toda é que o mercado fonográfico está se virando do avesso na tentativa de encontrar saídas para a crise que enfrenta. Algumas soluções já demonstram sucesso, como o lucro sucessivo dos selos independentes. A venda de faixas via internet também parece estar fazendo a cabeça dos americanos, e o sistema vem sendo adaptado por algumas escolas e faculdades, de modo que os alunos tenham uma provinha da música por uma quantidade restrita de tempo, depois a pessoa deve comprá-la se quiser ouvir mais vezes.
Pessoalmente, acredito que os CDs vão se tornar artigos de colecionador. Acho que os piratas vão responder a demanda da classe com menor poder aquisitivo e o resto da população vai montar seus próprios álbuns comprando faixas na net. A previsão parece meio pessimista, mas é a que me parece mais próxima da realidade.
Uma última coisinha... Não resisti a promoção e comprei os dois primeiros DVDs do Senhor dos Anéis por R$ 29,90 cada. Talvez para o mercado de DVDs ainda haja uma luz no fim do túnel. Se o preço baixar, é claro.
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