Contar uma boa história, sem apelação
M. Night Shyamalan é um dos poucos diretores/roteiristas que conseguem contar uma boa história sem apelarem para uma enxurrada de efeitos especiais. Considerando que seus filmes têm como tema central pessoas comuns envolvidas em situações extraordinárias, é realmente admirável a sua capacidade de prender a atenção do público sem gastar quantias exorbitantes apenas nas “trucagens” para compor o visual de seus longas-metragens.

Uma das coisas (simples) que se deve ter em mente ao assistir
A Vila (
The Village, 2004), o novo filme desse talentoso diretor, é: não o compare com as suas produções anteriores. A maioria das pessoas tem o péssimo hábito de fazer a comparação entre seus filmes, achando esse ou aquele melhor ou pior do que os outros. Nada fora do comum, mas sempre partir do pretexto de que
O Sexto Sentido é sua obra-prima e seus outros filmes são progressivamente inferiores, não faz sentido. Shyamalan sabe conduzir com maestria suas histórias, que basicamente dependem do roteiro e dos atores para se desenvolverem satisfatoriamente. Apesar do ritmo lento de seus filmes, cada um deles pode ser considerado uma experiência cinematográfica diferente, repleta de boas interpretações e com certas “marcas registradas” do autor.
Como o mestre
Alfred Hitchcock (1899-1980), Shyamalan adora fazer pequenas aparições em seus filmes: foi um médico em
O Sexto Sentido, um traficante de drogas em
Corpo Fechado e o responsável pela tragédia na vida do personagem de Mel Gibson em
Sinais. Em
A Vila, o diretor faz sua tradicional “ponta”, que os espectadores mais atentos notarão sem maiores dificuldades.
Dessa vez, Shyamalan nos transporta para um pequeno vilarejo do século 19, onde uma comunidade vive em harmonia com míticas criaturas da floresta, conhecidas como Aquelas-de-Quem-Não-Falamos. Tais seres não entram na vila, desde que os moradores da mesma não ultrapassem os limites estabelecidos e adentrem os bosques. É uma relação de respeito/medo que teria passado de geração para geração.
O excelente elenco principal reunido pelo diretor é composto por
Bryce Dallas Howard (Ivy Walker),
Joaquin Phoenix (Lucius Hunt),
Adrien Brody (Noah Percy),
William Hurt (Edward Walker) e
Sigourney Weaver (Alice Hunt).
Como sempre, o diretor utiliza os efeitos sonoros e a música (de
James Newton Howard, que compôs as trilhas sonoras de todos os filmes de Shyamalan) de forma primorosa, contribuindo para o clima de mistério do filme.
Mais um ponto a favor desse cineasta, que parece fazer seus filmes à moda antiga, dando ênfase nas interpretações e na história. ¤