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Hollywood também é legal!
Por Tiago Cordeiro — Quarta, 18 de agosto de 2004
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Eu não acredito em uma arte. Não consigo imaginar um universo comunicacional onde somente um estilo, uma visão possa existir. Dessa forma, como cinéfilo e crítico de cinema do Sobrecarga, não concordo com a possibilidade de ver no filão de filmes blockbuster uma inevitável e necessária inferioridade em relação a outras escolas mais "cult". Da mesma forma, não creio que essas deixem a dever ao cinema-pipoca. Simplesmente, porquê não há apenas um cinema.
Vamos lá: Hollywood produz muita coisa imprestável. Sei lá bem quantos Invasões Bárbaras poderiam ser financiados com o orçamento do insípido Cold Mountain? O problema é supor que só coisas ruins vem de lá.
Eu, por exemplo, adoro Steven Spielberg. ET é um dos filmes mais importantes da minha infância e a forma infantil (no melhor sentido da palavra) com que Spielberg construiu a história não impossibilita dezenas de discussões como a raça humana e o preconceito ou se o filme pode ou não ser uma nova versão da história de Jesus Cristo e por aí vai. Isso não reduz o meu prazer de ver um Primavera, Verão, Outono, Inverno e...Primavera e achar um filme lindo à sua maneira. Em suas próprias peculiaridades. Nâo que considere um melhor do que o outro, simplesmente são...Diferentes. O primeiro conta uma fábula para crianças mesmo (o que não impede que um adulto possa chorar compulsivamente quando assiste) e o segundo uma metáfora sobre karma usando as estações para denominar as diferentes fases de vida do protagonista. E cada um é produzido por nacionalidades e pensamentos largamente diferentes.
É claro que isso não me faz esquecer que a indústria tenta dominar o mercado, que prefere produzir um filme com a mesma fórmula e com os mesmos atores para lucrar, mas não dá para esquecer de filmes como Cidadão Kane, Janela Indiscreta, Matrix, Blade Runner entre outros.
Na verdade, dentro do cinema comercial, seus orçamentos bilionários e diretores-celebridades existem possibilidades que um filme brasileiro, por exemplo, jamais alcançaria. Em contrapartida, a percepção de um diretor brasileiro como Walter Salles ou Glauber Rocha ocupa espaços no cinema que nem Spielberg ou George Lucas consegue. Tente imaginar um Central do Brasil ou Deus e o Diabo na Terra do Sol dirigido por Spike Lee e produzido por Richard Donner? Poderia sair algo ótimo? Sem dúvida... Mas, completamente diferente (aliás, imaginem se Glauber Rocha recebesse o orçamento de Cidadão Kane para seus filmes o que poderia aprontar).
Então esqueça onde o filme foi produzido quando for ao cinema. Sétima arte depende das possibilidades e perspectivas de uma equipe que podem ser iguais a... Quem sabe? Por ora, a única coisa que o cinema-pipoca merece de crítica é se algum dia for a única forma de expressão cultural. Pluralidade é a única coisa que este cinéfilo exige. ¤
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