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Eterno brilho de nossas mentes desmemoriadas
Por Paula Machado — Quarta, 18 de agosto de 2004
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Um filme que está em cartaz e que já deve ter chamado a atenção de alguns de vocês pelo título quase filosófico é Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças. Há alguns outros detalhes da produção que podem ter feito algum de vocês prestar mais atenção a esse lançamento, como a presença de Jim Carrey num papel que não é de comédia-pastelão e Kate Winslet interpretando uma personagem que não é melodramática.
O filme não tem um perfil futurista, mas seu enredo gira em torno da empresa Lacuna Inc., que descobriu um método de apagar relacionamentos mal-sucedidos do cérebro de seus pacientes. A primeira barreira que enfrentei ao assisti-lo foi a de manter uma linha de raciocínio diante da narrativa não-linear escolhida pelo roteirista Charlie Kaufman. Os passeios pelo presente e futuro, real e imaginário, dentro da mente de Joel (Jim Carrey) foi o caminho que o roteirista escolheu para nos fornecer as peças que montam o quebra-cabeça dessa história.
Dizendo assim, parece que o filme é denso, cult, mas a história é basicamente simples e comum. Ela discute o que leva duas pessoas a se apaixonar e insistir (ou desistir) de um relacionamento. A diferença é que Brilho Eterno não fornece um discurso pronto que responda a essas questões, como a maioria das comédias-românticas que a gente assiste por aí. Ao contrário disso, ele desperta percepções que geralmente passam despercebidas em meio ao nosso cotidiano.
Por isso, algumas pessoas podem considerar o final do filme decepcionante e outras achá-lo esperançoso, mas o mais legal é tentar compreender o porquê dessa contradição. A resposta pode estar no fato de certas pessoas privilegiarem seu lado emocional em face ao racional, ou vice-versa. O que freqüentemente esquecemos, e que o filme faz questão de nos lembrar, é que a distância que separa a emoção do raciocínio não é tão longa quanto a que separa o nosso cérebro de nosso coração. Na verdade, esses dois pólos de opiniões conflitantes são separados por uma tênue fronteira dentro de nossa caixa encefálica, onde age a tecnologia desenvolvida pela Lacuna Inc.
Bom, esse é um assunto que gera mais texto do que uma coluna semanal no SoBReCarGa. Como até hoje os cientistas ainda não conseguiram descobrir como funciona esse nosso complexo computador de bordo, ainda podemos nos meter a besta de tentar compreender alguns de seus mecanismos que nos parece mais simples, porém mais difíceis de serem controlados, como a memória. Por isso, não se assuste se sair do cinema se perguntando se vale a pena desistir de toda uma viagem por causa de dias chuvoso, isto é, se algumas lembranças ruins valem o esquecimento de toda uma história. ¤

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