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Particularmente, eu prefiro matar o dragão
Por Sissi Freire — Sexta, 13 de agosto de 2004
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Principalmente se o nome desse dragão for FOX. Terça feira foi ao ar no Brasil o último episódio da série Angel, filhote de Buffy a Caça Vampiros. E como se isso já não fosse sofrimento suficiente para os fãs que em menos de dois anos se viram órfãos do “papai” Joss Whedon três vezes – Firefly, Buffy e Angel – a Fox ajudou a piorar a situação.
“Como assim, Sissi? Eles não exibiram o episódio?”
Ah sim, isso eles fizeram, e com grandes inserções de propaganda da nova série Nip/Tuck entre um bloco e outros – sem mencionar o canto superior direito da tela – probleminhas. Okay, probleminhas uma vírgula. A Fox vem torturando o telespectador desde o episódio 519 – Timebomb (Bomba Relógio), quando reprisou o final de um bloco no início de outro e cortou 3 minutos cruciais do último bloco. Confuso? E é mesmo. Quem não entendeu nada – Alguém? Alguém? Ninguém? – teve que esperar até o sábado seguinte rezando de joelho no milho para que o episódio fosse exibido na íntegra e que finalmente ficássemos sabendo o que diabos aconteceu com o bebê.
No episódio de terça passada, Not Fade Away (me recuso a traduzir esse título usando os parâmetros da FOX) cada bloco teve seus 10 segundos finais cortados e exibidos no ínicio do próximo bloco. Tá bem, você deve estar pensando que eu sou uma neurótica e que ganho pra reclamar da FOX, WB e SONY. Mentira. Nem uma coisa nem outra, mas verdade seja dita, se acontecesse com a Globo e a “novelitcha” das oito no domingo seguinte a Revista da TV estaria cheia de cartas de reclamações, então porque não nós? Afinal... tv por assinatura não é gratuita certo?
Bem, deixemos de ladainha e vamos lá matar esse tal dragão.
Foi gratificante e torturante assistir novamente Not Fade Away. Ver as peças se encaixando, os destinos sendo revelados, as surpresas descobertas pouco antes do final. Quem não vibrou quando o Connor apareceu pra ajudar o pai? Afinal aquele era o filho que o Angel merecia ter, forte e companheiro, lutando ombro a ombro em uma frente de batalha. Spike entra em um bar, se embebeda e o que ele faz? Puxa uma briga? Nada disso... declama um poema. O poema, para Cecily, a mesma que desprezou ele décadas atrás, ou mais exatamente na quinta temporada de Buffy. Wesley e Illyria tem momentos doces e torturantes. Ela descobrindo o que é ter sentimentos e ele morrendo exatamente por ter que deixar de tê-los. Ou vocês acreditam que o Wesley ia mesmo deixar o Vail vencer assim tão fácil? A vida sem a Fred para ele não significava mais nada. Não havia dia perfeito.
Surpresas das surpresas foi ver Lorne sacando uma pistola com silenciador e metendo dois balaços no vilão Lindsey. Tudo no melhor estilo gangster de Chicago, com direito a casaco de couro de tudo. Um último trabalho e o verdinho estava fora da jogada. Ah, sim, Gunn ajudou com uma mudança, tinha mais sangue do lado de fora do que do lado de dentro e só. Okay, ele disse uma das melhores frases do episódio: “Já que eu só tenho dez minutos de vida, vamos torná-los inesquecíveis.” Fez bonito, mas poderia ter morrido nas mãos do Vail.
Angel ficou com o plot chave como não poderia deixar de ser. Ele é o herói, o líder destemido, o salvador. Ele contagiou a todos, liderou a batalha, se alimentou do poder da Wolfram & Hart direto de uma de suas fontes. E querendo ou não, de um jeito ou de outro, ele venceu. Com o Circulo destruído e demônios caindo sobre eles Angel ainda tem ânimo pra uma última piada: “Particularmente, eu prefiro matar o dragão. Vamos ao trabalho.”
“Mas Sissi, ele assinou a profecia Shanshu. Mesmo que ele sobreviva ele não vai mais virar um menino de verdade.”
Será mesmo? Com aquele garranchão? Há menos que só o fato de ter assinado com sangue já anule a profecia, para mim – e até que o Joss Whedon desminta – ele falsificou a assinatura. O cara não pode chamar aquele garranchão de “boa caligrafia” e quando ele se ofereceu pra ajudar o Connor com o curriculum o argumento dele foi exatamente esse: “Sempre tive uma boa caligrafia.”
Vejam o episódio outras vezes... percebam outras nuances. É Joss Whedon, gente, e o cara brinca com a nossa imaginação. Por exemplo, vocês sabiam que no script original quem morria era o Gunn e não o Wesley? Nem eu sabia... mas no fundo tinha a mesma esperança que o Joss, de que Angel poderia ter sido salvo do cancelamento e que teríamos uma sexta temporada digna, com o fechamento que o fandom merece. Sem caça vampiros ou coisa que valha, pois Angel mostrou que sobrevive muito bem sem Buffy, mas com muita ação e algumas boas surpresas. Depois de tantas aventuras, tristezas e alegrias nos resta apenas a esperança contida no título do episódio 522. Não desaparecer. ¤
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