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Receita de bolo
Por Tiago Cordeiro — Terça, 10 de agosto de 2004
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Fazer uma boa adaptação cinematográfica de histórias em quadrinhos é bem mais fácil do que muito diretor e executivo pensa. Vamos tentar seguir uma lista de regras padrão para o assunto que minimize a probabilidade de se produzir "roubadas" como Quarteto Fantástico, Capitão América e Batman & Robin.
Para começar, tente ser o mais fiel possível à fonte. Quadrinhos e cinema são mídias semelhantes e o fato de um personagem já possuir fãs deve pesar. Afinal de contas, de que adianta adaptar um personagem de outro veículo de comunicação se você não traz os fãs dele para as salas de cinema?
O segundo passo é simples: arranje um bom ator para o papel que não seja um daqueles astros que mandam e desmandam nos filmes. Lembre-se: você está usando uma mitologia própria que já possui um universo rico e ordenado, não há razão para ter uma estrela que use isso como veículo quando a própria história já se sustenta. Super-homem e Homem-aranha fizeram um sucesso estrondoso contando com atores que só despontaram depois desses filmes. Enquanto isso, o Justiceiro com Dolph Lundgren saiu direto para o vídeo e Mulher-Gato com Halle Berry estreou com apenas 17 milhões de dólares (o filme, sem o custo de marketing, foi orçado em mais de U$$ 100 milhões). O problema de se chamar uma estrela para um personagem com o perfil bem conhecido é de que o astro queira ser maior do que o próprio personagem.
E por fim: nunca, nunca mesmo confunda leitor de histórias em quadrinhos com imbecil. ninguém vai assistir um filme do Batman só por ser do Batman se ele usar uma roupa homoerótica com direito a mamilos e tiver um batcartão de crédito. Se o roteiro for ruim, se a direção for ruim e o figurino e tudo mais também, o filme vai ser um fracasso não importa quão popular seu personagem seja. Agora, vamos rezar para que os próximos filmes que venham por aí continuem ou passem a seguir essa receita de bolo. Sem querer bancar o pretensioso, mas menos "bombas" viriam por aí.
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