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Grayson
Por Tiago Cordeiro — Sexta, 6 de agosto de 2004
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Cinema é realização. Sem essa de concretizar uma idéia de qualquer jeito. Filmes trash são legais e tem seu mérito, mas jamais estarão no mesmo patamar que um Bruxa de Blair da vida que tem um dos orçamentos mais baixos da indústria e um lucro estrondoso com uma estética semelhante à de filmes caseiros. Da mesma forma, o fato do filme envolver uma equipe gigantesca e um orçamento monumental não indica ali um bom filme. Cold Mountain e Super-homem IV que o digam.
Essa semana consegui assistir o trailer do fanfilm Grayson, dirigido e protagonizado por John Fiorella. Você deve estar perguntando a razão pela qual abordo o trailer de um filme que sequer poderá estar em qualquer sala de cinema oficial. A razão está bem explicada no parágrafo acima.
Em apenas dez minutos de divulgação, Fiorella mostra o que é preciso para se fazer uma boa adapatação. Pode ser que o filme em si seja uma droga ou apenas um Batman: Dead End com algumas referências aos quadrinhos e um roteiro cheio de reviravoltas e sem foco que vá agradar apenas aos viciados na turma de Gotham City. Porém, o que me saltou aos olhos é a qualidade do figurino, das cenas de ação e da fotografia (assinada por Gabriel Sabloff). Uma Mulher-gato (Kimberly Page) sem uniforme e que convence mais nesse trailer do que Halle Berry em quase um ano de propagandas (nada mais justo, afinal o diretor Pitof afirmou inúmeras vezes não querer que a personagem principal de Mulher-gato tivesse qualquer ligação com os quadrinhos), um Dick Grayson maduro, mesmo sem ser Asa Noturna (identidade que o primeiro Robin assumiu nos quadrinhos, atualmente Batman é auxiliado pelo terceiro Robin, Tim Drake) e cenas de ação bem executadas (se m os orçamentos gigantescos para mostrar o Super-homem erguendo um carro ou as explosões e batidas de carros que todos os diretores de ação gostam), fora a qualidade que atores em um trabalho "amador" demonstram.
Já está mais do que na hora de alguns executivos da indústria acordarem para esses novos talentos que aparecem nesses filmes. Assistindo Grayson é impossível não pensar no que a franquia Batman poderia representar, tanto em termos comerciais quando cinematográficos, se ao invés de Joel Schumacher alguém com a mesma sensibilidade que Fiorella parece ter, tivesse dirigido.
E só para voltar a falar (bem) do ator e diretor do filme, vale a pena citar seu comentário a respeito de seu trabalho: "A idéia de Grayson estava rodando na minha cabeça há algum tempo, então com a ajuda de talentosos artistas e quatro cartões de crédito passei a tentar transformar a idéia em realidade." E afinal de contas, o cinema mundial seria um porre se não tivesse gente com essa coragem. E tomara que seja lançado logo esse filme. Na internet, que seja.
Links relacionados:
Trailer de Grayson - http://theforce.net/theater/nonsw/grayson/
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