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Por minha culpa...
Por Celso Antonio Almeida — Sexta, 30 de julho de 2004
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Na minha coluna anterior, chamei os computadores atuais de “burrinhos”, mas acho que quem é burro sou eu (não que os computadores também não sejam, claro...).
Explico: o assunto da minha coluna era a Singularidade, e foi exatamente sobre isso que escrevi. Acontece que dei uma definição equivocada do conceito "Singularidade" quando aplicado aos computadores, robôs e afins.
Eu afirmei que "então podemos esperar que a taxa de progresso tecnológico diminuirá conforme nos aproximamos destes limites (a velocidade da luz e a constante de Planck)." Na verdade, eu deveria ter dito aumentará, dando à oração sentido contrário (e correto) ao que ela tem no meu texto. Foi falta de atenção da minha parte e peço desculpas aos caros leitores.
Outro problema está aqui: "este é um evento singular no sentido de que ocorre apenas uma vez na História humana. Daí o nome 'Singularidade'". Acontece que o termo "Singularidade" é emprestado da física. Lá, ele designa fenômenos tão extremos que as equações não são mais capazes de descrevê-los, como buracos negros, lugares de densidade infinita, que levam as leis da ciência ao absurdo. A idéia surgiu em 1950, com o matemático John von Neumann, um dos criadores do computador, que disse que as tecnologias poderiam chegar a um ponto além do qual "os assuntos humanos, da forma como conhecemos, não poderiam continuar a existir". Desde então, a evolução rápida de várias tecnologias é um dos argumentos de que a humanidade pode um dia chegar a esse momento de "virada".
A princípio, a capacidade dos processadores dobraria a cada 18 meses, segundo a também citada Lei de Moore – a mesma velocidade com que evoluem hoje. Como estarão mais rápidos, passarão a dobrar a capacidade a cada nove meses, daí a 4,5 meses, e, algumas gerações depois, lá está a Singularidade. Não é só na informática e na robótica que os especialistas vêem esse fenômeno. A nanotecnologia e a genética têm evoluído em um ritmo parecido. Para o inventor Ray Kurzweil, um computador de mil dólares (aproximadamente R$ 3 mil) tem hoje a mesma inteligência de um inseto. Logo, ela se igualará à de um rato, depois a de um ser humano (por volta de 2035, como afirmei na coluna), e, finalmente, à de toda a humanidade reunida.
Se o leitor notar bem, é exatamente essa a conclusão a que eu chego na minha coluna da semana passada. O meu erro reside na definição equivocada do termo "Singularidade".
Peço desculpas aos meus caros leitores e prometo tentar não mais cometer erros como este.
Acho que vou pedir para um computador escrever minha próxima coluna... ¤
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