No dia 26 de maio foi ao ar a minha última CMYK, exatamente na véspera do meu acidente que foi divulgado aqui. Hoje faz sessenta dias que eu fui operado e, aqui no meu quarto, onde pedi que colocassem um computador, estou podendo escrever de novo, embora ainda não possa ficar muito tempo com a perna abaixada. Mas, pelo menos é possível matar saudades deste meu espaço semanal de bate-papo. Então, mais uma vez, vamos em frente!
Rio de Jano
No mesmo dia que conversei com Paulo Caruso, tema da minha última CMYK, eu conheci Eduardo Souza Lima, que junto com Anna Azevedo e Renata Baldi produziu o filme Rio de Jano, filmado em 2000 quando o desenhista francês esteve no Rio trabalhando nas ilustrações do livro Rio de Janeiro, da Casa 21 e da Sinapse Projeto Cultural.
O cartaz de Rio de Jano e... Wallaye! a edição #27 da série Graphic Novel
Jano (pronuncia-se Janô) é Jean le Guay, nascido em Paris em 1955, no subúrbio de Arcueill, onde vive até hoje, ficou conhecido na Europa por ser um dos “criadores” da
BD Rock (BD = Bande Dessinée). No Brasil andou tendo suas HQs publicadas na extinta revista
Animal mas seu trabalho mais conhecido é
Wallaye!, publicado em setembro de 1991 pela Abril Jovem, onde pudemos ver em sua plenitude o rato
Kebra, sem dúvida, a sua maior criação.
O filme
Rio de Jano é um verdadeiro
making of do livro, sendo que foi finalizado com imagens do estúdio de Jano em Paris, onde o artista fez o acabamento das artes. E só foi lançado no início de 2004 devido à falta de recursos, algo que uma produtora independente como a
Hy Brazil teve que driblar. Eu gostei muito do resultado final e da forma como o documentário foi conduzido. Como editor o filme me prendeu muito pois pude observar como o artista captou as imagens do Rio de Janeiro. Uma das páginas que mais me agradou foi a que Jano procura captar todo o fervor de um Maracanã lotado pela torcida do Flamengo.
A torcida do Flamengo no Maracanã no traço de Jano
Depois do debate sobre o filme no Espaço Unibanco, aqui em São Paulo, que também teve a participação de
Álvaro de Moya;
Diego Assis, da Folha de São Paulo;
Paulo Caruso e
Laerte resolvemos tomar umas cervejas num barzinho perto do local.
ZéJosé, como o
Bussunda, do
Casseta & Planeta, batizou Eduardo Souza Lima, convidou-me para uma esticada pois, assim como eu, ele dorme muito tarde e queria aproveitar a oportunidade para conversar mais. Zé, que já havia “confessado” acompanhar as publicações da
Brainstore e gostar muito do que eu publico, aceitou conhecer nosso estúdio, onde pôde ver como fazemos a produção de revistas em quadrinhos. Admirou-se com a minha coleção de HQs, que se tornou um verdadeiro arquivo editorial, principalmente com minhas revistas da
Ebal e da
Bloch. Chegou a me prometer o envio de algumas publicações que tem da Bloch, as quais eu estou esperando ansioso. (Como colecionador, eu aprendi que quando alguém lhe oferece algumas revistas, principalmente antigas, você deve aceitá-las.)
Ainda tivemos tempo de dar uma passada no Bar & Restaurante Camará, do Márcio, de quem me tornei amigo recentemente, um lugar tranqüilo e aprazível que oferece uma cerveja de ótima qualidade produzida sob encomenda. O papo se esticou, o Márcio também gosta de quadrinhos. Finalmente, relutantes, nos despedimos e levei o ZéJosé para o hotel. Mas, não perdemos o contato, estamos trocando e-mails e devemos ser “cúmplices” em breve: estamos pensando em publicar Kebra.
Para saber mais sobre Rio de Jano visite o site www.hybrazilfilmes.com.
Se tudo correr bem, semana que vem nos falamos de novo. Tchau! ¤