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Editoras de RPG Nacionais - Parte1
Por Deivison Pacheco — Quarta, 28 de julho de 2004
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Nesta coluna eu vou começar um ciclo de entrevistas com as Editoras Nacionais de RPG, e a primeira é a Jambô Editora. Mandei algumas perguntas para o Rafael Dei Svaldi, responsável pelo empreendimento e ele vai nos contar um pouco sobre a Jambô, sobre a história dela e sobre o que vem por aí. Vejamos:
SoBReCarGa - A pergunta básica: Quando você começou a jogar RPG e o que você joga (se joga) hoje em dia?
Rafael - Bem, eu comecei a jogar em 92, no mesmo ano em que estava me preparando para o vestibular. Eu comecei com GURPS, até porque na época era o único RPG que eu e meus amigos conhecíamos. Lá pelo final de 92 nós conseguimos comprar os livros básicos de AD&D, e de lá para cá é basicamente isso que eu tenho jogado. Atualmente eu jogo de duas a três vezes por semana, em duas campanhas diferentes de D&D 3.5.
Conte-nos, rapidamente, como nasceu a Jambô Editora.
- A Jambô é uma empresa com bastante tempo de estrada. Como editora, nós começamos nossas atividades em 2002. Basicamente, nós pretendíamos ampliar nossas atividades, e a editora era uma boa opção em termos de mercado, e era um sonho meu e de meu irmão.
O que nós fizemos para iniciar a editora foi buscar informações com outras editoras, pesquisar os procedimentos e a legislação e, por fim, entrar em contato com editoras estrangeiras para negociar os direitos dos livros que pretendíamos publicar.
A Jambô está trazendo para o Brasil material das editoras Mongoose Publishing, Privater Press, Atlas Games... como foi para fazer contato com esse pessoal?
- Atualmente nós temos contratos com Atlas Games (EUA), Fiery Dragon (Canadá), Mongoose Publishing (Inglaterra) e Privateer Press (EUA). Em cada caso o contato foi diferente, embora com a Mongoose e a FD tenha ajudado muito conhecer, respectivamente, o Marcio Fiorito e o Claudio Pozas, que foram extremamente prestativos e fizeram vários contatos para a gente. De qualquer forma, no geral é relativamente fácil entrar em contato com essas empresas.
Eu sempre quis saber:como eles vêm o nosso mercado?
- A maioria dos editores lá de fora não conhece bem nosso mercado. Eles têm noção de que é menor, o que é a verdade (uma tiragem que aqui leva dois anos para ser vendida, em média sai em 3 meses lá). Mesmo assim, a maioria das editoras tem bastante interesse em licenciar seus produtos, e o Brasil é um mercado considerado atraente para eles.
E tem mais alguma editora na mira da Jambô?
- Embora existam algumas editoras com as quais nós gostaríamos de trabalhar, no momento não temos nada planejado em relação a novas editoras. Queremos, até o final do ano, completar a trilogia do Fogo das Bruxas, dar início à linha da Fiery Dragon, e publicar mais Quintessências. Com tudo isso, por enquanto não dá para pensar em outras editoras.
Essa me leva automaticamente a perguntar sobre os próximos lançamentos. Quais são? (Será que tem chance de vermos os livros básicos do Iron Kingdoms em português?)
- Para esse ano teremos, não necessariamente nessa ordem, o livro três da trilogia do Fogo das Bruxas, pelo menos mais um Quintessência, a primeira aventura da série da Fiery Dragon e, muito provavelmente, o livro básico de Equinox. Embora eu esteja realmente louco para ver o Iron Kingdoms Character Guide em português logo, é muito provável que ele só seja publicado ano que vem.
O que você está achando da aceitação do D20 no Brasil?
- O público brasileiro ainda não assimilou completamente as vantagens do Sistema d20. Ainda há jogadores que se privam da variedade de opções em termos de publicações por estarem presos à idéia de livros "oficiais". Atualmente, nos EUA, já existe essa noção de que existem muitos livros de ótima qualidade publicados com o selo d20 que não são, necessariamente, da Wizards. Aqui no Brasil ainda há um certo preconceito em relação a livros d20 de outras editoras. Eu, particularmente, acredito que isso irá mudar aos poucos, mas por enquanto ainda é uma situação perceptível.
A Jambô pretende trabalhar com outros sistemas de RPG?
- Por enquanto não. Nosso objetivo é ser uma das melhores editoras de d20 do Brasil, e nosso foco é esse sistema de regras. É claro que não vou descartar uma boa oportunidade caso apareça, mas por enquanto nosso foco é o d20.
Você sabe que tem muita gente por aí escrevendo e tendo idéias. Como pode um desses novos autores entrar em contato com a Jambô para apresentar um projeto? O que o autor já deve ter pronto pra mostrar?
- Realmente, existem muitos artistas e escritores talentosos por ai, e nos interessa bastante ter acesso ao material desse pessoal. O que acontece é que temos recebido muitas propostas de idéias, e não de produtos. O primeiro passo para quem quiser mostrar seu trabalho é: termine sua obra. Um bom resumo pode atrair a atenção do editor, mas um texto completo é muito melhor. Outro conselho é: sempre registre suas criações no Escritório de Direitos Autorais mais próximo. Por fim, o autor/desenhista pode mandar seu material por e-mail ou pelo Correio para a gente. É provável que nós demoremos um pouco para dar alguma resposta, mas o pessoal pode ter certeza que a gente sempre olha tudo com carinho.
Cara, obrigado por sua paciência! Quer mandar algum recado pros leitores? Um beijo pra mãe? Algo assim? Sinta-se à vontade!
- Eu é que agradeço pela oportunidade. E um grande abraço para o Sobrecarga e todos os nossos leitores. ¤
É isso aí pessoal. Na próxima coluna, outra editora brazuca. Aguardem!
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