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A perfeição que mapeia nossa imperfeita ambição
Por Tiago Cordeiro — Terça, 27 de julho de 2004
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À primeira vista, Mulheres Perfeitas parece uma simples comédia de costumes que flerta de forma muito básica com a ficção científica. Porém, o remake dirigido por Frank Oz (o original data de 1975 e o diretor era Bryan Forbes) consegue se transformar em algo mais.
Não chega a ser novidade, essa obsessão pela perfeição que alcançamos. Muito trabalho e muita preocupação com o físico acompanhado da obrigação de sermos insuperavelmente felizes com todas essas imposições, são coisas que já fazem parte do nosso cotidiano. Lamentavelmente.
Joanna (Nicole Kidman, com a excelente desenvoltura de sempre) é uma apresentadora inescrupulosa de reality shows. Após sofrer um atentado e ainda ser demitida por isto, sofre uma crise nervosa e é levada pelo marido Walter (o ótimo Mathew Broderick) à uma pequena e nova cidadezinha chamada Stepford, onde todos são felizes, de uma forma quase incomum. Enquanto os homens sempre ouvem a opinião de Mike (Christopher Walken), sua esposa Claire Wellington (Glenn Close) comanda as mulheres em uma vida de donas de casa. Aliás, o casal mais popular de Stepford oferece um show à parte, especialmente Glenn Close.
A despeito das pressões que a personagem de Kidman sofre, o primeiro passo do filme é alertar o que ocorre quando colocamos todo nosso eixo ou auto-estima em um único elemento de nossas vidas (no caso, o trabalho). A forma como Joanna e seu marido tentam colher os cacos, chega a enganar. Mas, a forma como cada um vê os erros do companheiro é que definirá o futuro de sua relação. Tudo se altera quando Joanna percebe que as mulheres de Stepford são sorridentes e subservientes durante todo o tempo. Daí, abandona, definitvamente, o papel de workaholic e pára de tentar ser uma simples dona de casa.
Sem pieguice e sem lições de moral, Oz é responsável por uma fábula contemporânea a respeito de felicidade e como é impossível alcançá-la plenamente. Machismo e feminismo são estereótipos que dão o tom dos embates. Na verdade, qualquer forma que enalteça um gênero acaba gerando problemas ainda maiores para os dois. O mérito do diretor está em não assumir um lado, mas em mostrar que os dois são culpados pelos problemas de relacionamento.
Parte do desfecho é surpreendente, mas não apaga um final, até certo ponto, previsível. Afinal de contas,se gostamos das pessoas por suas qualidades, são os defeitos que nos fazem amar. E isso é o mais próximo que vamos chegar da perfeição. ¤
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