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Nós vimos I: Hellboy
Por Tiago Cordeiro — Terça, 27 de julho de 2004
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Ação, trash e fanfiction
A adaptação cinematográfica de Hellboy, personagem de histórias em quadrinhos de Mike Mignola vinha sendo aguardada com bastante expectativa pelos fãs. Tanto pelas impressionantes imagens que mostrariam uma fidelidade incomum aos quadrinhos (para se ter uma idéia, o figurino de X-men é completamente diferente dos quadrinhos), quanto pela possibilidade de ver na telona um personagem quase recém-criado, se comparado aos outros protagonistas das últimas adaptações do gênero.
Guillermo Del Toro fez um filme que todo o amante do imenso universo de super-heróis quer ver. Hellboy é um filme de ação, com cenas meio trash, sem serem comprometedoras, e com sabor daquelas fanfiction que hqmaníacos norte-americanos andam fazendo por aí, como Batman: Dead End (dirigido por Sandy Collora). Não encare daí um filme amadorístico. Pelo contrário, a competência de Del Toro está em limitar o trash a momentos difíceis como as sempre problemáticas cenas de computação gráfica ou a máscara do protagonista (interpretado por Ron Perlman) que soa artificial em alguns raros momentos. Além disso, o jeitão mal-encarado e a impressionante semelhança dos personagens com suas contrapartes nos quadrinhos fará muitos aficcionados pela cria de Mignola babarem.
Durante a segunda guerra mundial, um ritual nazista, comandado pela enigmática figura do feiticeiro russo Rasputin, traz para esse mundo uma espécie de criança-demônio. Apelidado de Hellboy pelos soldados, o demoniozinho é adotado pelo professor Trevor 'Broom' Bruttenholm (John Hurt), que se torna o diretor do bureau de pesquisa e defesa paranormal dos Estados Unidos e usa o misterioso ser em conjunto com Abe Sapien (vivido pelo ótimo Doug Jones) e tantos outros agentes para investigar toda atividade metafísica no mundo. O desenrolar da trama permite que Hellboy descubra com que finalidade chegou a este mundo e para quê foi criado, bem como se poderá ou não seguir um caminho diferente do que lhe foi traçado.
Selma Blair, como Liz, não se destaca e nem se compromete. Rupert Evans, como o agente John Myers consegue dar leveza ao soturno protagonista e é uma pena que não tenha um pouco mais de espaço. Perlman, por sinal, está confortabilíssimo na pele de um personagem com aparência adulta, mas com 20 anos para os padrões humanos (ele envelhece mais devagar do que outros humanos). No mais, Del Toro acertou em cheio ao fazer um filme nerd, ao mesmo tempo que é uma simples história de magia e amor na medida certa. Embora agrade imensamente aos fãs, quem nunca leu Hellboy na vida vai se divertir também.
Talvez o único erro do diretor é que ao contrário de Bryan Singer (X-men 1 e 2) e Sam Raimi (Homem-aranha 1 e 2) não há tantas pontas soltas para a continuação (já confirmada para 2006), o que pode levar à criação de uma história totalmente nova ao invés de desenvolver melhor os elementos explorados no primeiro filme. Mas, isso já é papo para daqui a dois anos. Por enquanto, não perca o garoto do inferno em ação! ¤
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