Minha saga no PS2 começou com
Winning Eleven 7, passando por
GT-3, mas relutava em chegar nos RPGs. RPG sempre foi um dos meus gêneros prediletos de jogos eletrônicos, mas sempre torcia o nariz para aquelas super espadas e elfos com 3 metros de orelhas... Mas fiz um sacrifício e comecei
Final Fantasy X. Essa resenha talvez seja para aqueles que nunca tiveram contato com a serie, só jogaram RPGs de computador e como eu sempre ficavam com restrições quando se fala em RPGs de videogames. A primeira coisa a dizer: é um estilo diferente de RPG, mas é RPG. E mais importante, eu estava errado, são jogos primorosos.
Os RPGs de computador já têm uma tradição e uma história, bem antiga. Já os RPGs de videogames são mais recentes e tem como publico um grupo diferente de jogadores com influências bem diferentes. Mas dizer que não é RPG, ou que são jogos inferiores é longe de ser verdade. É um estilo diferente de RPG, mas ainda é RPG, com elementos de RPG. Alguns jogadores vão se sentir acuados com o estilo diferente de jogo, mas outros vão descobrir que existe muita coisa em comum entre RPGs de computador e videogames. Afinal a não linearidade é mais importante que uma boa historia, que consegue prender o jogador e emocioná-lo? Por isso se você é um daqueles fanáticos por computador que sempre passou longe daqueles jogos com espadas gigantescas, pense duas vezes... Tudo bem a espada é desnecessária e às vezes infantil, mas outros elementos valem o jogo.
Voltando para
Final Fantasy X... O jogador assume o papel de Tidus um jogador de Blitzball que acorda em um mundo estranho,
Spira, assombrado por uma criatura há mais de 1000 anos, sem saber como chegou no mundo.
Spira é um mundo de fantasia com tecnologia, rico em detalhes. Riquíssimo em detalhes. A jogabilidade é no estilo dos outros
Final Fantasy, mas se você era como eu que nunca jogou um FF, vai estranhar muito e se deliciar... A historia se mistura com a jogabilidade, você joga as cenas, a história. A maneira como ela é contada é tão importante como os gráficos. Durante a sua aventura Tidus encontra Yuna e cinco de seus guardiões e passa a acompanhá-la em sua viagem por Spira. Yuna é uma sacerdotisa que pode conjurar os poderosos
Aeons, espíritos que ajudam na luta contra Sin. A historia tem muitas reviravoltas e prende o jogador do inicio ao fim, o que é muito difícil nos jogos de hoje.
Os gráficos são uma pintura à parte. As paisagens são bem construídas assim como os personagens. O jogo traz vários vídeos em momentos especiais com a mesma qualidade do filme
Final Fantasy. Para um jogo de 2001 está muito bom, já que ainda hoje poucos são os que conseguem tamanha qualidade. A trilha sonora, como de costume nos FF, completa o jogo, bonita, bem conduzida e emocionante.
Quando Tidus e seu grupo encontram inimigos começa um combate por turnos, onde três dos sete personagens podem lutar, enquanto os outros ficam esperando, mas o jogador pode trocar quem participa do combate quando quiser. Cada personagem tem poderes e vantagens diferentes por isso o combate é muito tático, um personagem pode ser melhor para lutar contra um inimigo, mas pode ser ruim para o próximo combate. Além disso, após o combate todos ganham pontos que podem fazê-los passar de níveis. Cada personagem tem um grid, com vantagens e o jogador escolhe para onde quer direcionar o personagem. Isso é, o jogador pode deixar Tidus um melhor guerreiro ou pode fazer dele um guerreiro com magias. Quem escolhe o caminho do personagem é o jogador.
Resumindo, porque eu fico sempre horas falando de FFX se deixarem: FFX foi o melhor jogo que joguei esse ano e um dos melhores RPGs eletrônicos que já joguei. Por anos sempre fiz cara feia para jogos com armaduras estéticas (aqueles que um guerreiro nunca usaria, mas que são legais) e espadas ridiculamente grande, mas estava errado. Continuo não gostando dos exageros, mas entendo que eles fazem parte desse publico diferente dos RPGs de videogames, mas existe muito mais por traz deles, muitas ótimas historias. Vale a pena deixar a desconfiança de lado e jogar, descobrindo esse novo tipo de RPGs eletrônicos.
Na próxima semana a
review de Transformer! ¤