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O Expresso do Rock
Por Luiz Eduardo Ricon — Segunda, 26 de julho de 2004
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O ano, 1970. O local, o Canadá.
Durante cinco dias (e noites!), uma incrível seleção de músicos embarcou numa viagem inesquecível. A bordo de um trem especialmente preparado, eles caíram na estrada para cinco mega-shows, armando as mais loucas farras entre um concerto e outro.
Conhecida como a maior e a mais longa festa de todos os tempos, esta página monumental, mas ainda pouco conhecida da história do rock chega agora finalmente às telas e alto-falantes do mundo, através do documentário Festival Express.
Um verdadeiro Woodstock sobre trilhos, o Festival Express deu forma ao sonho de todo roqueiro: sair pelo mundo, tocando e zoando, no melhor estilo sexo, drogas & rock’n’roll. Inspirados no mítico Orient Express, os promotores do festival decidiram criar um ambiente perfeito e veradeiramente irresistível para os músicos que queriam contratar para o projeto.
E o que eles fizeram?
Alugaram um trem, equiparam o vagão-restaurante com comida e (muita) bebida e deixaram tudo isso à disposição dos passageiros, 24 horas por dia. A viagem ia de Toronto a Calgary, no Canadá. A cada parada, estava previsto um concerto. E entre uma parada e outra, entre um concerto e outro, rolava farra, farra e mais farra. Diversão desregrada e ininterrupta para os felizardos que embarcaram nesa verdadeira “maria-fumaça” do rock n' roll.
A lista de passageiros ilustres era uma verdadeira seleção das maiores lendas do rock da época, incluindo Janis Joplin (nem morta ela perderia essa festa...), Santana e Buddy Guy, além das lendárias bandas Grateful Dead e The Band. Para documentar tudo isso, convidaram o jovem cineasta Peter Bizou (que mais tarde ganharia o Oscar de fotografia com Mississipi em Chamas, de Alan Parker).
Porém, por um daqueles mistérios insondáveis do destino, que só os advogados de direitos autorais conseguem explicar, essa preciosidade ficou guardada numa gaveta por mais de 30 anos, até que Gavin Poolman, filho do produtor do festival, decidiu que já era hora de partilhar com o mundo esse tesouro. Como não é bobo, ele deixou a condução do projeto nas mãos do experiente diretor Bob Smeaton, do célebre The Beatles Anthology e de alguns episódios da série The Classic Albums (exibida pelo GNT) além do lendário produtor musical Eddie Kramer (que trabalhou com Jimmy Hendrix, Led Zeppelin e Santana, entre outros), que re-mixou o som de todas as apresentações musicais do filme para o formato Dolby Digital 5.1.
Para completar a festa, os produtores decidiram entrevistar alguns dos artistas e técnicos envolvidos no evento, que relembram, quase 35 anos depois, algumas das histórias mais pitorescas que rolaram nos bastidores dessa louca turnê.
Para os amantes do rock, o filme traz apresentações inéditas de conções como Cry Baby e Me & Bobby McGee, com Janis Joplin, Casey Jones, com o Grateful Dead, e Slippin’ and Slidin’, The Weight e I Shall Be Released, com o The Band, além de uma mega-jam session em Sunshine of your Love, grande sucesso do Cream, de Eric Clapton, que aliás, merecia um lugar de honra nesse trem.
Se você (como eu!) é fã do rock dos anos 60 e 70, ou se simplesmente curte um bom documentário de rock, resta torcer para que a viagem desse Expresso do Rock inclua uma parada nos cinemas brasileiros, ou então, no mínimo em DVD. Mas se o leitor não conseguir controlar a ansiedade, o site oficial do filme traz textos, pôsters, press-releases, fotos, pequenos clipes e toneladas de informação, incluindo ótimas biografias dos músicos e bandas presentes no filme.
A julgar pela ficha técnica e pelo elenco de estrelas e músicas apresentadas, esse Festival Express corre o risco de seguir a mesma a trilha de sucesso de filmes como O Último Concerto de Rock (The Last Waltz), de Martin Scorcese sobre a despedida do The Band, The Song Remains teh Same (do Led Zeppelin) ou da versão filmada do festival de Woodstock, verdadeiras obras-primas do rock-cinematográfico.
É esperar para ver. E ouvir! ¤
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