... e você duvidava que ele voltaria?
Lona Voadora reabre em grande estilo
Depois de 8 anos de espera, expectativas e muita batalha, o
Circo Voador está de volta, com sua nova tenda armada bem atrás dos Arcos da Lapa, dando a impressão que os bons tempos estão de volta... e a equipe do SEQUELA Connections conseguiu se infiltrar na festa de abertura, realizada nessa última quinta feira, 22 de julho.
Pra quem esteve fora do Brasil nos últimos anos e não sabe do que se trata, o Circo Voador é uma iniciativa pioneira de produtores culturais, ativistas do movimento social, artistas e loucos em geral com o objetivo de difundir cultura e trazer o devido retorno à comunidade. Bandas como
Barão Vermelho,
Titãs,
Paralamas do Sucesso,
Legião Urbana e tantas outras deram seus primeiros passos na lona voadora, que por si só é a própria história do rock nacional. Muito além da música, o Circo promoveu desde meados dos anos 80 gafieiras, apresentações artísticas, performances, e em sua cartilha social inclui uma creche para a comunidade das redondezas da Lapa e Centro do Rio de Janeiro. Não é pouca coisa, não senhor.
Tudo era paz e deleite sob a tosca porém querida lona até que, no fim de 1996, o recém-prefeito
Luiz Paulo Conde resolveu comemorar sua eleição na frente do Circo Voador... num dia de show das bandas
Ratos de Porão e
Garotos Podres (que por sinal são figuras fáceis no nosso programa radiofônico). A fanfarra infernal foi recebida com vaias e xingamentos do mais baixo calão por parte dos punks presentes no recinto (e como esperar algo diferente?), e o que seria um evento isolado se tornou um quiprocó de proporções catastróficas, que acabou resultando no fechamento permanente do Circo. A voz da cultura carioca havia sido silenciada.
Nova lona do Circo é coisa muito fina
Mas a saga da lona voadora se perpetuou através de sua ferrenha militância, e em momento nenhum o núcleo de produtores deu descanso; pela Internet, em atos públicos e com o respaldo de todos os órfãos do Circo, a palavra foi passada adiante, até que finalmente foi selada junto à Prefeitura não apenas a reabertura do espaço, mas a construção de toda uma estrutura para fazer a coisa acontecer novamente. E se alguém merece esse mérito é a jornalista
Maria Juçá, pioneira da produção cultural carioca e defensora legítima do espírito do Circo Voador. Não se esqueça de acender uma vela em seu nome, ou ao menos coloque-a na sua lista de orações.
E então surge o grande dia: nem a chuva conseguiu deter a reabertura do solo sagrado. A Juçá sobe no palco trazendo uma imagem de São Sebastião e presta sua homenagem aos orixás; o Barão Vermelho se reúne novamente após anos, seguidos na seqüência por George Israel do Kid Abelha e Evandro Mesquita encerrando, com o clássico da Blitz Você não Soube me Amar. Novo ambiente, nova marca, clima futurístico, acústica perfeita, uma estrutura arquitetônica espetacular - mesmo com os eventuais problemas de goteiras na parte de fora da lona. Aliás, se você for lá em dia de casa cheia, prepare-se para o perrengue que é encarar a fila do banheiro: um bom macete é pular a janela do corredor pra fugir da muvuca. Tudo bem, tinham vários atores globais e muita gente que não tem nada a ver com o Circo, mas era dia de festa, e a cerveja esquema 0800 atenuava qualquer tensão possível... uma pena que a vodka acabou tão cedo.
Se você mora no Rio e não se contenta com pouco, não pode deixar de comparecer e ajudar a reescrever a história do rock nacional. Se você tem uma banda, entre em contato com os produtores do Circo e tente a sorte; vale a pena arriscar. A agenda do Circo promete eventos toda sexta, sábado, e o domingo é reservado para a Domingueira Voadora no melhor estilo malandro. Então prepare-se para muita "estragação" e noites que durarão pra sempre, pois, como diz na filipeta: O silêncio acabou - o Circo Voador está de volta.