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Singularidade
Por Celso Antonio Almeida — Quarta, 21 de julho de 2004
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A História humana se caracteriza por uma taxa acelerada de progresso tecnológico, que é causado por uma espécie de "círculo virtuoso". Acompanhe comigo: uma nova tecnologia, tal como a agricultura, permite um aumento da população; uma população maior tem mais cérebros trabalhando; logo, a próxima tecnologia é desenvolvida ou descoberta mais rapidamente; dessa forma, a taxa de progresso tecnológico continua a se acelerar porque há cada vez mais cientistas e engenheiros trabalhando.
Agora assuma que há limites para o progresso tecnológico. Estes limites são dados por constantes físicas como a velocidade da luz (velocidade de processamento) e a constante de Planck (miniaturização dos chips). Então podemos esperar que a taxa de progresso tecnológico diminuirá conforme nos aproximamos destes limites. Este é um evento singular no sentido de que ocorre apenas uma vez na História humana. Daí o nome "Singularidade".
Quando a Singularidade ocorrerá?
A resposta mais curta é: por volta de 2035. Várias linhas de raciocínio apontam para esta data. Uma destas linhas é uma simples projeção do crescimento populacional. A curva de crescimento da população humana nos últimos 10 mil anos está ficando cada vez mais vertical.
Se, no entanto, o crescimento populacional desacelerar e os níveis populacionais se estabilizarem, ou mesmo caírem, a singularidade ficará um pouco mais distante no futuro. Há apenas um "pequeno" problema com esta ingênua expectativa, e ele é este objeto para o qual você está olhando neste exato momento: o computador.
Os computadores não são exatamente um prodígio de inteligência nos dias atuais (a bem da verdade, com algumas raras exceções, eles são até bem "burrinhos"). Isso se deve ao fato de que a capacidade de processamento de dados do cérebro humano excede por um fator de um milhão a capacidade computacional das máquinas de hoje.
Mas convém lembrar que, segundo a mais que comprovada Lei de Moore, a capacidade dos computadores dobra a cada ano e meio (18 meses). Podemos esperar, portanto, que, dentro dos próximos 30 anos, os computadores serão tão poderosos quanto o cérebro humano - que, infelizmente para nós, não evolui à mesma velocidade. Apenas dois anos após equiparar a inteligência humana, ainda segundo a Lei de Moore, os computadores serão duas vezes mais inteligentes que nós, pobres seres de carbono (será o começo da Era do Silício?). E não pára por aí. O aumento da inteligência artificial continua, em progressão geométrica. E, como se não bastasse, a produção de computadores não é limitada pela taxa da reprodução humana, que permite que apenas duas ou três crianças venham ao mundo de uma vez. Os computadores "nascem" em série, dezenas, milhares de uma só vez.
É o assustador cenário apresentado em Eu, Robô. Neste novo filme estrelado por Will Smith, e que, por sinal, é ambientado em 2035, computadores dotados de inteligência artificial comparável à humana decidem exercer uma recém-adquirida habilidade: o livre-arbítrio. Um desses robôs é, inclusive, acusado de assassinato.
A questão principal é: assim que as máquinas atingirem o nosso nível de inteligência, como se dará a interação entre as agora duas espécies inteligentes do planeta, o homo sapiens e o robot sapiens? Conseguiremos conviver, seremos aniquilados pelos robôs ou os destruiremos primeiro?
Você tem 30 anos para me dar uma resposta. ¤
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