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Eu, Cazuza e as cinebiografias
Por Tiago Cordeiro — Terça, 20 de julho de 2004
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Uau. Nas últimas semanas o que tenho debatido com amigos e colegas a respeito das minhas impressões sobre Cazuza – O Tempo não Pára tem sido no mínimo...Exagerado. Não que isso me irrite, acho até engraçado tamanha polêmica, mesmo porquê a maior parte das pessoas me cobra uma postura de crítico de cinema, coisa que costumam odiar, mas isso já é outro papo.
Tudo o que falei sobre Cazuza – O Tempo não Pára, resume-se à uma afirmação: cinebiografias não dão bons filmes. Dúvida? Cite algum. Quando muito o que temos é um bom recorte da vida deste ou daquele personagem, mas nunca uma película que conte de forma competente quem foi esta ou aquela pessoa. The Doors, de Oliver Stone, é um filme que narra uma história bem amarrado e tecnicamente bem dirigido, mas não diz quem realmente foi Jim Morrison e sua relação com o resto da banda, como já abordei antes.
Posso me desdobrar em tentar explicar a razão disso, mas creio que é tudo muito simples. Personagens reais são muito mais complexos do que personagens da ficção (embora algumas vezes a diferença entre ficção e realidade seja tênue). Ok, Cidadão Kane pode ser uma referência ao empresário William Randolph Hearst, mas o protagonista não está preso à sua inspiração e obedece às idéias dos roteiristas que ajustam sua personalidade para a mensagem que querem passar. Enquanto isso, pessoas são muito mais complexas e nem sempre se ajustam à uma história contada em uma, duas ou três horas. O mérito de Diários de Motocicleta está exatamente em mergulhar não em toda a vida de Che Guevara, mas em apenas numa fase de sua existência, sendo mais o recorte de uma vida do que uma biografia completa.
Dessa forma, eu não vi Cazuza – O Tempo não Pára como veria qualquer outro filme. Cazuza foi um personagem real e filme nenhum vai dizer completamente o que foi. Só que a produção de Sandra Werneck e Walter Carvalho emociona, traz as músicas para o cinema e, principalmente, expõe um Cazuza muito real na pele de Daniel de Oliveira então, dentro desse estilo de filmes, considero bom. Claro, se seguirmos a cartilha do crítico e ignorarmos a dificuldade que esse tipo de produção carrega ele é ruim. As falhas de roteiro, fraqueza dos atores e tantos outros problemas já citados por mim estão lá, mas na minha opinião, não atrapalham todos os méritos que o filme tem.
De resto, Cazuza – O Tempo não Pára, é emotivo, divertido e homenageia o filho da dona Lucinha Araújo. E cinebiografias não existem para outra coisa senão isso. Agora com licença que me deu vontade de ouvir Exagerado.
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