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Nós vimos I: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
Por Marcelo Tavela — Terça, 20 de julho de 2004
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É tudo coisa da sua cabeça…
Jim Carrey é um sujeito bacana. Começou no cinema fazendo ponta como um punk apanhando de Clint Eastwood em um Dirty Harry e hoje ganha milhões fazendo filmes de caras e caretas que os americanos adoram. E vai seguindo sua vida assim.
Passou o último reveillon no Brasil, trazendo toda a família em um jatinho fretado, com uma praia fechada na Ilha Grande como destino.
Só que tem dias que Carrey acorda, se olha no espelho, e pensa: “Putz, quero fazer algo diferente hoje”. E ele prova que realmente é bacana. Fez pela primeira vez em O Show de Truman ( The Truman Show). Conseguiu também com Mundo de Andy ( Man on the Moon). Foi mal sucedido em Cine Majestic ( The Majestic). Mas sai-se muito bem em Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças ( Eternal Sunshine of the Spotless Mind).
Se, nas tentativas bem sucedidas anteriores, Carrey se aliou a gente boa, como Peter Weir e Milos Forman, não faria diferente desta vez. O diretor francês Michel Gondry - do semi-cult Natureza Quase Humana e responsável por alguns clipes sensacionais, como os Legos de Fell in Love With a Girl, dos White Stripes – faz parte de uma nova onda de diretores experimentais em Hollywood, junto com gente como Paul Thomas Anderson e Spike Jonze. Com este último, compartilhou o roteirista Charlie Kaufman, de Adaptação, Quero ser John Malkovich, e com quem já tinha trabalhado em Natureza Quase Humana. Juntos, os dois criaram uma história de amor que não deve em nada às grandes histórias de amor já contadas pelo cinema.
Carrey é Joel Barish, que, em um daqueles arroubos de rancor depois arrependidos, dá um fora bobo na namorada, a maluquinha Clementine Kruczynski (Kate Winslet, de A Vida de David Gale e, vá lá, Titanic). Impulsiva, Clementine vai até a Lacuna Inc., um empresa especializada em apagar memórias indesejadas – e que ganhou um ótimo website de verdade – e extirpa Barish de sua cabeça. O ex então, fulo da vida, toma a mesma atitude.
À medida que o processo de apagar Clementine vai rolando dentro da cabeça de Barish, o relacionamento dos dois é revisto de trás pra frente, passando pelos momentos íntimos, as pequenas idiossincrasias e defeitos delas, as situações em que nada mais na vida interessa - enfim, todos os pré-requisitos para que Barish perceba que ainda é completamente apaixonado e que esta fazendo uma grande m....
O filme parte-se em dois contextos: um thriller dentro da cabeça de Barish, no qual ele tenta salvar suas lembranças de Clementine escondendo-as em lugares pouco prováveis de sua psique, como momentos de humilhação e traumas de infância. E outro fora, com o Dr. Howard Mierzwiak (Tom Wilkinson, de Ou Tudo ou Nada) perseguindo o "eu interior" do personagem de Carrey, com o auxílio de seus ajudantes pouco éticos Stan (Mark Ruffalo, de Studio 54) e Patrick (Elijah Wood, melhor que o Frodo de O Senhor dos Anéis) e da secretária Mary Svavo (Kirsten Dunst, mais à vontade que a Mary Jane dos Homem-Aranha). As duas se entrelaçam e se completam, auxiliadas pela montagem rápida porém clara e pelos efeitos especiais modestos.
Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças - título retirado de um verso do inglês Alexander Pope - passa por rostos sem faces, roubos de calcinhas, citações nietzschianas e praias congeladas para provar, de forma nada piegas, que mesmo neste confuso início de século XXI, o amor romântico, em sua forma mais antiga, ainda acha uma maneira de se encontrar. ¤
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