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Mostra de Cinema Ambiental no Rio
Por Marcelo Tavela — Segunda, 19 de julho de 2004
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Surplus: um dos destaque da mostra. Clique na imagem para vê-la completa
Apesar de não ser muito reconhecido na grande mídia, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental ( FICA), realizado anualmente em Goiás Velho, é o quarto maior evento no gênero no mundo. Na última edição, o festival recebeu 222 filmes e vídeos de 48 países, abordando temas tão diversos como problemas com pesticidas na Índia, mineração degradante na Guiana Francesa e consumismo mundial, porém todos relevantes para as questões ambientais.
Os cariocas que não puderam ir à Goiás poderão conferir os filmes vencedores em uma pequena mostra gratuita que os produtores do FICA organizam entre 19 e 21 de julho, no Arte SESC (Rua Marquês de Abrantes, 99, Flamengo). Confira abaixo horários e programação, com a descrição de cada filme segundo a organização do festival.
II Mostra FICA no Rio de Cinema e Vídeo Ambiental
Segunda-feira, 19 de julho
17h30 – Mesa de Abertura
18h – Palestra com o jornalista André Trigueiro, pós-graduado em Gestão Ambiental pela COPPE/UFRJ e professor de Jornalismo Ambiental da PUC-Rio. Presidiu o júri do último festival.
19h - Exibição dos Filmes:
- Surplus
Suécia, 2003, 52 min. Direção: Erik Gandini. Temática: crítica ao consumismo.
Recebeu o Troféu Imprensa - concedido ao melhor filme escolhido pelos jornalistas - por sua linguagem ágil e criativa, que permite a um tema árido ser tratado de forma acessível também pelos mais jovens.
- Arne Sucksdorff: uma vida documentando a vida
Brasil, 2002, 32 min. Direção: Bárbara Fontes. Temática: vida e obra do sueco que dedicou seu trabalho ao cinema e ao Pantanal Matogrossense.
Documentário que recebeu Menção Honrosa pelo retrato de um cineasta e ambientalista sueco que escolheu o Brasil para viver, defendendo o cinema e o ambiente com empenho e respeito.
- Memórias do Meio Ambiente
Brasil, 2002, 23, 32 e 25 min. Direção: Anna Terra e Ricardo Carvalho Brasil.
Episódios selecionados:
- Ailton Krenak, um líder indígena em defesa da vida;
- José Lutzemberger, um pioneiro em Gaia e
- Virgilio do ABC, um fugitivo ambiental.
Ecologia e Comunicação em parceria com TV Cultura de São Paulo.
Escolhida como Melhor Série Televisiva pelo resgate da vida e da obra de personagens fundamentais à compreensão do movimento ambientalista brasileiro, num trabalho que também foi especialmente formatado para uso em salas de aula, com material didático apropriado.
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Terça-feira, 20 de Julho
18h – Palestra com Ibsen de Gusmão Câmara, presidente da Rede Nacional Pró-Unidades de Conservação e coordenador do Grupo de Trabalho Especial para os Mamíferos Aquáticos do Brasil, do IBAMA, entre outras atividades. Dedica-se a estudos sobre a natureza desde 1940.
19h - Exibição dos Filmes:
- War and Peace
Índia, 2002, 50 min. Direção: Anand Patwardun. Temática: jornada pelo ativismo pacifista/ambiental frente à militarização e à guerra no mundo.
Documentário que recebeu Menção Honrosa pela linguagem e pesquisa originais, pela crítica ao militarismo e ao nacionalismo associados ao perigo da escalada armamentista com artefatos nucleares, e pela retomada do pensamento de Gandhi no contexto atual.
- 100% Cotton
Alemanha, 2003, 26 min. Direção: Inge Altemeier Temática: problemas com pesticidas em plantações de algodão na Índia e suas conseqüências.
Recebeu o Prêmio Melhor Curta-metragem, Troféu Acari Passos Oliveira, pela competência com que abordou a problemática dos agrotóxicos nas culturas de algodão na Índia, seus reflexos na saúde dos agricultores e suas famílias, bem como as conseqüências ruinosas para os plantadores, beneficiando apenas as empresas produtoras de insumos químicos.
- Franz Kracjberg, Portrait d’une Revolte
França, 2003, 52 min. Direção: Mauricio Dubmoca. Temática: vida e obra do artista plástico que lutou pela preservação da Amazônia.
Documentário que recebeu Menção Honrosa pela forma como sublinha com justeza o papel de Krajcberg, originário da Polônia, que se radicou no Brasil e aqui edificou um trabalho ímpar no domínio das artes plásticas e defesa do meio ambiente, conjugando essas duas vertentes numa obra única.
- A Vida Não Vive
Brasil, 2003,12 min. Direção: Amarildo Pessoa e Kátia Jacarandá. Temática: uma reflexão sobre o símbolo da vida.
Recebeu o Prêmio Melhor Produção Goiana, Prêmio João Bênnio, pela criatividade na técnica de utilização da computação gráfica para a animação de imagens fixas.
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Quarta-feira, 21 de julho
18h – Palestra com o jornalista Carlos Tautz, especializado em jornalismo ambiental pela Fundação Reuters e em Jornalismo Científico pela Organização Ibero-Americana de Estados. É colunista de meio ambiente do Pasquim.
19h - Exibição dos Filmes:
- La Loi de la Jungle
França, 2003, 53 min. Direção: Phillipe Lafaix. Temática: as conseqüências da mineração criminosa na Guiana Francesa.
Recebeu o Prêmio Melhor Média-metragem, Troféu Jesco Von Putkame, porque trata de um ângulo pouco conhecido do tema “Amazônia”, revelando de modo contundente e corajoso, a situação dos garimpos de ouro na Guiana Francesa. A devastação da floresta e a impunidade da máfia que controla o esquema são o foco central desse vídeo.
- Life Running Out of Control
Alemanha, 2004, 95 min. Direção: Bertram Verbag e Gabriele Krisber. Temática: a manipulação genética e suas conseqüências.
Prêmio Melhor Longa Metragem, Troféu Carmo Bernardes, pela abrangência, fluência e profundidade com que tratou de um dos temas mais complexos e de maior atualidade na problemática socioambiental planetária, que é o da biossegurança, especialmente as suas relações com as biotecnologias, segurança alimentar, relações com o meio ambiente e a apropriação do conhecimento sobre a vida.
- Roque Pereira: Mobiliário Eco-Sustentável
Brasil, 2004, 10 min. Direção: Kim Ir Sem. Temática: conta como Roque Pereira utiliza madeira morta para a produção de mobiliário.
Recebeu o Prêmio Melhor Produção Goiana, Troféu José Petrillo, pelo resgate de um trabalho de criação de móveis que evita a destruição indiscriminada de árvores e a devastação das florestas. O filme destaca o percurso de Roque Pereira tanto no processo de construção de móveis alternativos quanto com a preocupação em buscar modalidades de aproveitamento da madeira que preservem a natureza.
- Negro Carvão
Brasil, 2004, 20 min. Direção: Francila Caliça Avelar de Castro, Joanatha Moreira e Luiz Felipe Fernandes Neves. Temática: a degradação do cerrado pela exploração de carvão vegetal.
Recebeu o Troféu Luiz Gonzaga Soares, como melhor filme de acordo com o Júri Popular.
(Imagens de divulgação / Photo Agência)
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