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Nós vimos: Hair High
Por Marcelo Tavela — Terça, 13 de julho de 2004
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Quem acompanha cinema há um tempo pode perceber uma certa seqüência nas regras de produção: quanto maior – em todos os sentidos – for o projeto, com mais gente ele fica com rabo preso. Seja por bilheteria, seja por financiamentos, é necessário um bom jogo de cintura para que o diretor consiga atender às exigências e continue colocando sua identidade na tela. Ainda bem que Bill Plympton tem a mobilidade de um professor de lambada.
Velho conhecido dos fãs de animações independentes, especialmente dos freqüentadores do Anima Mundi, o animador americano prestigia o festival exibindo pela primeira vez Hair High, seu novo longa e talvez a mais bizarra história já contada sobre os colegiais dos anos 50 nos Estados Unidos.
Baseada em uma das tantas lendas urbanas do país, o longa conta a história de um jovem casal que é assassinado indo para o baile do colégio (o famoso prom ball deles). Um ano depois, a morte não impede que a dupla vá à festa e busque suas coroas de rei e rainha do colégio.
Apostando em um formato de duração maior, Plympton – que já ganhou um prêmio em Sundance e, curiosidade, dirigiu o clipe de Who's that girl, da Madonna - teve de reduzir o nível do experimentalismo que usava em seus curtas-metragens. Ou melhor, ele teve que focar melhor as experimentações, e escolheu pontos exatos.
Cenas clássicas ou batidas de filmes escolares americanos ganham outra perspectiva com a visão surrealista do americano. A aula de biologia com dissecação de sapo fica ainda mais asquerosa – e ele inclui ainda um professor que consegue tossir todo o seu sistema digestivo para fora do corpo. O jogo de futebol americano, por si só bizarro, é amplificado com ajuda de afrodisíacos eqüinos e uma fantasia de galinha. Os cenários habituais, como drive-ins e lanchonetes, são retratados com detalhes só percebidos na visão do diretor.
Porém, o melhor vem mesmo quando Plympton explora os estereótipos da época, alguns deles ainda presentes nas high schools americanas. Os cabelos ganham formas góticas e macarrônicas (uma das justificativas para o título do filme), os dentes grandes, tapa-olhos e topetes são acentuados, os rabos-de-peixe do carros ficam ainda maiores.
Um atrativo são as diversas citações que o diretor espalha, que vão desde Juventude Transviada até o último filme de Plympton, Mutant Aliens (em um sensacional "filme dentro do filme", no qual ele expõe toda a sua loucura). A animação conta também com vozes interessantes e inusitadas, como David Carradine - da série Kung Fu e que está em alta, vivendo o Bill de Kill Bill - e Matt Groening - criador de Os Simpsons e Futurama.
Os cariocas têm a chance de conferir Hair High na terça-feira, 13, às 18h no CCBB; no sábado, 17, às 20h no Odeon; e no domingo, 18, às 19h30 novamente no CCBB. Os paulistanos têm chance única no domingo, 25, às 18h na sala 1 da Fundação Bienal. O resto do país torce para um lançamento em circuito (ou utiliza métodos não convencionais que não incentivaremos aqui).
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