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Nunca bate, só apanha...
Por Luiz Eduardo Ricon — Sexta, 9 de julho de 2004
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Homem-Aranha, Homem-Aranha, nunca bate, só apanha...
Claro que Sam Raimi jamais teve a chance de ouvir essa genial paródia do Didi Mocó em cima da trilha clássica dos desenhos do Homem-Aranha. Mesmo assim, os versos caem como uma luva nessa continuação das aventuras do cabeça de teia nas telonas.
A dupla (personalidade) Peter Parker/Homem-aranha jamais apanhou tanto. Durante as duas horas e pouco de projeção, o aranha tem seu uniforme quase totalmente rasgado e queimado enquanto apanha feito um boi ladrão, sendo jogado contra (ou através de) quase todas as paredes que aparecem nos cenários. Mas não é só o aranha. Peter Parker também apanha, e muito, mas do destino.
Acho que a gente nunca viu um super-herói sofrer tanto, se dar tão mal e nem ser tão “mané” quanto o Peter Parker que Sam Raimi e Tobey Maguire nos apresentam.
Sendo mais fiel às histórias clássicas do aranha do que até mesmo os fãs mais renitnetes julgavam ser possível, o filme reproduz situações, falas e até mesmo enquadramentos e capas antológicas, que marcaram época na Marvel e terminaram por fazer do escalador de paredes o herói mais popular que já saiu da cabeça de Stan Lee (que aliás aparece em duas ceninhas) ou da prancheta de Steve Dikto (homenageado com o sobrenome do senhorio insuportável de Peter Parker).
Para quem viu o primeiro filme, esse segundo é uma excelente continuação, que amplia e aprofunda os conflitos e a personalidade dos personagens. Sem ter que contar a origem do aranha ou recuperar o que aconteceu no primeiro filme (mostrado na abertura nas geniais pinturas de Alex Ross, comentadas aqui) sobra mais tempo e mais espaço para coadjuvantes importantes como o irascível e irresistível J. J. Jameson (uma das melhors coisas do filme), Robbie Robertson (personagem importante que quase não aparece nos filmes), a tia May (apenas correta) e até mesmo o chato do Harry Osbourne, que, vamos ser sinceros, sempre foi um mala sem alça nos quadrinhos também...
Há muito mais espaço ainda para um mergulho profundo na alma do jovem Parker, e é aí que podemos entender o que significa ser um herói, com todos os sacrifícios e responsabilidades que isso representa. Tem gente que interpretaria isso como um discurso político subliminar de justificação da arrogância bélica norte-americana. Pode até ser. Mas como filme do homem-aranha, esse é bem melhor que o primeiro.
Se muita gente (eu inclusive) teve lá suas restrições ao Duende Verde (Willem Daffoe) no filme passado, dessa vez Alfred Molina cria um Dr. Octopus bem mais crível, envolvente e bem melhor do que qualquer versão do personagem que já foi mostrada nos gibis. Ponto para o filme.
Mas para um fã antigo do aranha (e de quadrinhos), com anos e anos de gibi de super-herói nas costas, fica difícil aceitar a incapacidade atávica do cinema americano em respeitar uma instituição básica e elementar dos quadrinhos de super-heróis: a inviolabilidade da indentidade secreta.
Infelizmente, num mundo onde todo mundo quer ficar famoso, parece que eles não conseguem mais entender porque diabos alguém com super-poderes, admirado por multidões e que salva um monte de gente todo dia vai querer se esconder por trás de uma máscara, ao invés de saborear os louros da fama. Sinceramente, só isso explica porque todo super-herói no cinema adora tirar a máscara ao menor sinal de problemas...
Mas isso é só ranzinice do colunista. O filme é ótimo, melhor que o primeiro e já aguardo ansioso o terceiro (e último ?) filme do Aranha, que já tem até data para estrear: 4 de julho de 2007. Anotem! ¤
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