|
Nós vimos III: Homem-Aranha 2
Por Tiago Cordeiro — Quarta, 7 de julho de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Para chorar outra vez
O maior problema da continuação de um filme que fez sucesso é tentar repetir a surpresa e a boa recepção que o primeiro filme causou. Pânico 2 não foi tão bom quanto o primeiro, Batman 2 também não e quanto a Matrix Realoded... Bem nós ainda estamos tentando entender.
Por tudo isso, Homem-aranha 2 era uma tarefa árdua. O primeiro filme foi uma adaptação cinematográfica de história em quadrinhos do mesmo nível de Super-homem 1 e X-men 2 (não perderei tempo discutindo qual é o melhor) e tinha tudo para ser um filme dispensável. Porém, nunca dispense o amor de um diretor pelo seu projeto. O fã dos gibis de Homem-Aranha, Sam Raimi, acertou a mão mais uma vez e faz outro excelente filme.
O maior mérito de Raimi é não inventar. Se o primeiro foi ótimo e sensacional é porquê continha muitas das fórmulas que todo mundo ainda queria ver. Só que dessa vez, tudo que era bom está ainda melhor. Os atores estão mais confortáveis na pele dos personagens, as cenas de ação estão mais reais e a história é muito mais elaborada. Dessa vez, Peter Parker (Tobey Maguire) encontra problemas em separar sua vida pessoal das suas ações como Homem-aranha e também com a súbita perda de seus poderes (a explicação para isso soa um tanto forçada) e com a aparição de um novo inimigo o Dr. Octopus (Alfred Molina), que foi um ídolo de Parker, o cientista Otto Octavius (apesar das banhas de Alfred Molina não serem esteticamente triunfantes, o vilão está melhor caracterizado do que o Duende Verde no filme anterior).
Homem-aranha 2 é sobre rever suas decisões. Em perceber que a trilha escolhida não depende apenas de você, mas das pessoas ao seu redor, especialmente aquelas que você ama e que amam você. Dessa vez, se Peter recusar o amor de Mary Jane (Kisten Dunst) sofrerá conseqüências muito mais intensas do que antes. Da mesma forma, a sua relação com seu melhor amigo, Harry Osborn (James Franco), atravessa sua pior fase, com o filho do Duende Verde cada vez mais inconformado com a relação entre o fotógrafo do Clarim Diário e aquele que acredita ter matado seu pai.
A melhor coisa é perceber como o aracnídeo é retratado exatamente como nos quadrinhos. Vale lembrar as referências ao Super-homem. Os óculos que Parker usava são focalizados toda vez que sua fragilidade humana está presente, a cena do herói correndo em um beco e tirando o paletó, mostrando o símbolo no peito e, finalmente, o herói tentando (e não conseguindo) parar o trem com as pernas é uma sátira sutil às diferenças entre o homem de aço e o personagem da Marvel comics, o deus humano e o humano com superpoderes.
Das cenas onde os defendidos pelo herói mostram sua admiração por ele, ou as impressionantes seqüências de ação até a relação “mamãe e filhinho” de Peter e tia May, Homem-aranha 2 é o grande filme do gênero nesse ano, até aqui. E vai ser difícil ser batido. Dessa vez, os espectadores não vão acabar tão frustrados, mas repare na cara fechada de Mary Jane ao final. Há muita coisa para ser contada e o aranha ainda vai sofrer muito nas mãos de Raimi. Que bom! E que venha logo Homem-aranha 3!
|