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Homem-Aranha 2
Por Celso Antonio Almeida — Quarta, 7 de julho de 2004
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Se és capaz de dar, segundo por segundo, ao mínimo fatal todo o valor e brilho, tua é a Terra com tudo o que existe no mundo, e o que mais, tu serás um homem, ó meu filho! - Se, Rudyard Kipling
Tu serás um Homem, ó Aranha!
Homem-Aranha 2 preenche todas as expectativas da multidão que lota os cinemas em busca de efeitos especiais cada vez mais mirabolantes e, quase paradoxalmente, realistas: temos o "amigão da vizinhança" balançando por entre os arranha-céus de Manhattan, muito perigo, um vilão cool, pessoas em apuros...
Mas também temos um herói vulnerável que luta para salvar as pessoas que ama, um roteiro inteligente, com bons diálogos e surpresas genuínas, e cenas e seqüências (como a do trem, que já nasce clássica) que são realmente ótimas. Só isso já basta pra fazer deste filme o arrasa-quarteirão do ano.
Mas, felizmente, não foi o bastante para o diretor Sam Raimi e para os roteiristas Alfred Gough, Miles Millar, Michael Chabon e Alvin Sargent, que escreveu o roteiro de Gente como a Gente, pelo qual ganhou - merecidamente - o Oscar de melhor roteiro adaptado. E você não contrata um cara como este se planeja colocar na tela apenas um filme visualmente belo (o que HA 2 é, sem dúvida).
Este filme me comoveu. Às lágrimas. Mais de uma vez. E não apenas nas cenas em que era de se esperar. Fui surpreendido por momentos de grande emoção, momentos de revelação e fruição que poucos cineastas são capazes de proporcionar a um cinéfilo sentimental como este colunista que vos fala, ainda mais em um filme que pode ser classificado como "de ação".
Mas não sou eu quem vai contar ao curioso leitor quais são, exatamente, estes momentos. Isso seguramente estragaria o grande prazer que é assistir a esta seqüência. E talvez o caro leitor não seja afetado pelas mesmas cenas que eu, da mesma forma que eu fui.
Meu único desejo (pedido?) é que o leitor consiga ver além da angústia de Mary Jane (na pele de Kirsten Dunst) - não é culpa dela, o roteiro simplesmente não dá a ela a oportunidade de expressar muito mais e, francamente, não há tempo para isso. Mas, da próxima vez, em Homem-Aranha 3...
Além disso, ninguém no filme interpreta situações angustiantes melhor que Kirsten – bem, quem sabe talvez Tobey Maguire ou James Franco. Elenco melhor selecionado, impossível.
Há uma filosofia hollywoodiana que reza que a platéia é tão burra que não é realmente necessário se fazer um bom filme para se ganhar quantias obscenas de dinheiro. E tal filosofia está absolutamente correta. Independence Day ou Titanic e mais uma porção de filmes-catástrofe, seqüências insossas e desnecessárias têm provado isso mais de uma vez.
Mas apenas porque filmes caros porém dispensáveis fazem dinheiro, não significa que todo filme caro seja ruim. Os espectadores agradecerão se um filme que tem efeitos especiais fantásticos tenha também grandes personagens e um roteiro interessante. Na verdade, HA 2 continuará a atrair a atenção das pessoas por um longo tempo, porque bons filmes não envelhecem, se tornam clássicos.
Mais que isso. Quase todos que assistam a este filme - ou, pelo menos todos com uma mente aberta - descobrirão um filme sobre um herói cujos poderes podem ser inacreditáveis, mas cujo coração é reconhecível... como o melhor tipo de ser humano, o tipo que nós sempre esperamos ver no mundo real, mas que raramente reconhecemos quando estamos diante dele.
É mais que o suficiente para mim. Vá ver este filme (se você já não o fez) e então você não precisará que ninguém lhe diga nada sobre ele. Você saberá por si próprio.
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