|
Intensa onda de calor atinge os Estados Unidos
Por Paula Machado — Terça, 6 de julho de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Michael Moore está com mais um documentário em cartaz. Preciso dizer mais alguma coisa? Não é necessário saber nem o nome do filme pra chegarmos à algumas conclusões: 1 - Está gerando polêmicas; 2 - A Casa Branca está incomodada; 3 - O projeto vai lucrar uma grana preta!
A bola da vez é o Fahrenheit 9/11, uma produção que ele tinha em mente desde que ganhou o Oscar de melhor documentário em 2002 (pra que foram incentivar?...). O nome remete ao livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, que se passa no futuro onde um Estado totalitário proíbe a leitura e o pensamento independente. A utilização do nome sem a devida permissão do autor está rendendo à Moore mais um processo para sua coleção.
Desde o início, durante a concepção do projeto, já havia a dificuldade de conseguir investimentos para produção. A Mel Gibson’s Icon Production desistiu do financiamento depois de receber uns “beliscões” da Casa Branca. O mesmo aconteceu com a Fox. Eis que surge a Miramax, como uma luz no fim do túnel. Moore sabia que teria problemas com a produtora, já que ela é subsidiária da Disney, mas até lá ele teria o apoio da opinião internacional graças ao fracasso de seu presidente no Iraque. Ele só não contava que teria mais uma aliada de peso nas mãos, a Palma de Ouro de Cannes.
Foi então que Eisner, chefe executivo dos Estúdios Disney, foi pressionado a vender o direito de distribuição do filme de volta aos irmãos Weinstein, da Miramax. Demorou mais um mês até que conseguissem que a Lions Gate, canadense, e a IFC Films, conhecida por investir em produções independentes, assumissem a distribuição do F9/11. O mais divertido dessa parte da história foi a justificativa da Disney para não distribuir o documentário, dizendo que, por ser muito tendencioso, poderia alienar o público eleitor americano. Na verdade, chamar o povo americano de alienado é quase uma redundância (pelo menos em 90% dos casos).
Uma batalha havia sido vencida, mas a guerra estava apenas começando. A partir de então, começaram a surgir “pequenos empecilhos” para exibição do filme. A Motion Pictures Association of América (MPAA), que é responsável pela classificação etária dos filmes, censurou F9/11 como "R-17", o que significa que menores de 17 anos só podem assistir ao documentário se estiverem acompanhados dos responsáveis. Em resposta, a Lions Gate afirmou que, se um jovem de 18 anos pode ser convocado para guerra, aos 17 ele deve ter o direito de saber como ela é.
Há poucas semanas da estréia que prometeu ser a mais ampla exibição de um documentário nos cinemas, associados do grupo de conservadores americanos paradoxalmente denominada Move America Forward ligavam para os cinemas próximos às suas casas pedindo que o filme não fosse exibido. Alguns proprietários chegaram a afirmar que receberam ameaças anônimas de morte caso colocassem o documentário em cartaz.
Todo esse barulho não fez nada além de adiantar a consolidação do sucesso de Fahrenheit 9/11, pois Nova York teve a premier do filme dois dias antes do planejado e com lotação máxima em todas as sessões, provando que o filme seria um estouro, principalmente de bilheteria.
O filme pode até ser bom, principalmente pelo ponto de vista investigativo, mas a polêmica que gira ao seu redor é muito maior. Não duvido nada que mais tarde apareça um estúdio querendo aproveitar esse roteiro emocionante de aventuras para gravar um filme que tenha como tema a produção do F9/11. O final da história a gente já conhece, o poder econômico vence o filosófico.
|