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Nós vimos II: Homem-Aranha 2
Por Alexandre Maron — Quinta, 1 de julho de 2004
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Explosões lá e cá
Está resolvido definitivamente que continuações não precisam ser ruins e que filmes de aventura e ação não precisam ser estúpidos e desalmados. O principais artífices dessa revolução que já se anunciava com alguns sucessos pontuais, têm sido os filmes de super-heróis, principalmente X-Men e Homem-Aranha. Mais que isso tudo, a dupla de filmes dos principais personagens da Marvel Comics serviu para provar que bons diretores são a essência de boas adaptações.
O mais novo exemplo é Homem-Aranha 2. O diretor Sam Raimi resolveu que agora era a hora dele se divertir e colocou um vilão que parece saído de um de seus seriados ou filmes fantasiosos. O Dr. Octopus de Alfred Molina tem um nascimento violento (aniquilando uma equipe médica em uma cena deliciosa), sai a fazer maldades por Nova York e encontra um Homem-Ar..., desculpe, um Peter Parker relutante em continuar a ser um super-herói.
Não é pra menos. Mesmo com todos os seus poderes, Parker se vê morando em um muquifo, tentando ganhar algum dinheiro em dois empregos e ainda tirando notas ruins na faculdade. Não vê sua tia May e praticamente não se encontra com Mary Jane, a mulher que ama alucinadamente e a quem renunciou no final do primeiro filme, por medo de vê-la em perigo.
Os personagens e os conflitos de Homem-Aranha 2 só mostram que Raimi sabe onde está pisando e o que está fazendo. Ele entendeu que, diferente de Superman e Batman, a graça do Homem-Aranha está em Peter Parker e as histórias precisam girar em torno dele. Quem achou o mapa da minha dos corações do grande público foi Stan Lee, que fez um herói que só queria ser uma pessoa comum.
Agora vamos lembrar que Sam Raimi dirigiu a deliciosa trilogia trash A Morte do Demônio, Uma Noite Alucinante e Uma Noite Alucinante 3, além de Darkman e foi produtor das séries de TV Hércules e Xena. O resultado é um filme pop que não se furta de trazer uma profusão de símbolos e evocações. Os tentáculos de Octopus, por exemplo, além de bacanérrimos, são vivos, inteligentes e influenciam seu hospedeiro. São mostrados como monstros sibilantes que lembram serpentes assassinas.
Nada no filme parece estar ali por uma simples comodidade ou configuração saída de uma necessidade técnica. Não há espaço para preguiça. E acredite, isso acontece muito em filmes caros por aí. A história é contada com habilidade tanto no sentido dos acontecimentos como na maneira de mostrá-los. Trabalho primoroso de roteiro e direção, já que até melodramático e novelesco o filme se permite ser, do jeitinho cafona que os gibis do Aranha sempre foram, sob aplausos dos fãs.
Quem não é fã vai se envolver com as aventuras de Parker, e os adoradoers do Aranha nos gibis vão delirar com as referências e piadas. É o filme de verão perfeito, em que as explosões não são só pirotécnicas, mas também emocionais. Tanto do lado de lá quanto no de cá da tela. ¤
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