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Meu novo brinquedo: Playstation 2
Por Fabiano Silva — Quarta, 30 de junho de 2004
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Está coluna já estava em minha pauta ha três meses quando tomei uma decisão radical: comprei um Playstation 2 . Sou um jogador das antigas, passando por vários tipos de diferentes de computadores. CP-400, XT, AT... Mas sempre fiquei longe dos videogames. Na escola os videogames ainda eram novidades e pouco difundidos, o que importava eram os computadores. Tinha rixa entre os vários grupos: MSX, Amiga, Commodore, IBM... Cada um dizendo que o seu tinha os melhores jogos. No final quem venceu a briga entre os computadores foi a IBM e hoje é o padrão do mercado.
Depois chegaram os videogames de ultima geração, pelo menos na época eram de ultima geração e mais uma rixa começava, agora entre jogadores de computador e jogadores de videogames. Os videogames maníacos diziam que os jogos de computador eram chatos e lentos, já os computador maníacos falavam que os jogos de videogames eram para crianças e bobos. A verdade é que os dois estavam certos, os dois tinham públicos completamente diferentes e os jogos refletiam isso.
Hoje a guerra entre videogames e computadores acabou, os videogames ganharam. O numero de jogos para videogame é muito maior que de computador. Para trabalhar (ou tentar) no mercado de jogos não tem como ficar somente com o computador. Mesmo sendo um dos radicais que sempre disseram que jogos de videogames eram para crianças e adolescentes não deu para resistir. E não foi apenas pelo lado profissional. Simplesmente enchi o saco dos problemas dos computadores. Ganhei o Senhor dos Anéis o Retorno do Rei, mas quando fui jogá-lo ele não funcionou... Precisava de uma nova placa 3D. Mas para comprar uma nova placa precisava trocar a placa mãe... Isso para um jogo de 2003, sabendo que em 6 meses vou precisar trocar alguma coisa porque os jogos mais modernos não vão funcionar. É o ciclo vicioso do upgrade desnecessário: você nunca tem um computador bom, de tempos em tempos tem que trocar alguma coisa e quando você usa o computador basicamente para jogos você começa a se questionar: vale a pena? Por que gastar $500 por semestre se posso ter um Playstation 2 com mais jogos por $1000? E depois de jogar algumas partidas de Winning Eleven 7 tomei coragem (não da para comparar com Fifa 2004).
Comprei... Foi estranho no inicio. Como assim colocar um cd, ligar e funcionar? Nada de instalação? Nada de conflito entre a placa mãe e a placa de vídeo? Nada de imagem com tamanho ruim? Era só colocar e jogar... Apertar e jogar... Uma coisa tão simples, mas que eu, e tantos outros que ainda brigam com os videogames, não sabemos como é há anos... Patch????? Como assim??? Jogo lançado que funciona? Nem historia da Disney tem mais isso... Um jogo de computador tem que vir com um erro para ser corrigido com um patch, o qual, depois de já ter pago pelo jogo, você paga uma ligação de internet para baixar o Patch que deveria estar no jogo antes do seu lançamento...
Nesses três meses o único jogo que joguei no computador foi Galactic Civilizations (e joguei alguns jogos antigos que sempre jogo de 6 em 6 meses, Medieval, jogos de estratégia sem concorrência no Playstation). Já no Playstation 2 foram dezenas... Estou atrasado com a maioria dos lançamentos de PS2, mas estou colocando os títulos em dia... Depois desse tempo já posso tirar algumas conclusões: o que era verdade antes continua sendo verdade. Jogos de computador e jogos de videogames continuam diferentes, bem diferentes. Ainda estamos longe de ver Rome: Total War no Playstation 2. Os jogos em primeira pessoa também não funcionam da mesma maneira em um teclado e um joystick (até da para jogar, mas é muito mais enrolado e complicado). Do outra lado é difícil imaginar Baldur´s Gate: Dark Alliance sendo vendido para os jogadores dos primeiros Baldur´s Gate. O publico é diferentes, os jogos tem que ser diferentes. Mas mesmo assim, quando você só conhece um dos lados, quem perde é você, que só está vendo uma parte dos jogos lançados e poderá estar perdendo verdadeiras perolas, dos videogames ou computadores. Se você gosta de RPG nunca jogou um Playstation, você está perdendo Final Fantasy. Se você só jogo videogames, estará perdendo Baldur´s Gate e Fallout. Até mesmo entre os próprios videogames, na briga entre as empresas, vários jogos acabam exclusivos para apenas uma plataforma. Quer jogar Knight of Old Republic, so em XBOX e PC. Todos os jogos da Lucas Arts são apenas para XBOX. Quem perde é o jogador como sempre... Mas isso é para uma próxima coluna.
Os computadores ainda têm os recursos necessários para jogos mais estratégicos, enquanto o Playstation funciona bem para jogos táticos. Por ter um publico menor e mais especializado, as empresas de computador podem criar jogos voltados para pequenos grupos de mercado, como os wargames maníacos ou pilotos de b-17 em potencial. Isso já seria difícil nos videogames, devido a algumas limitações técnicas (comandar 200 tropas em um mapa com o joystick não é pratico) e principalmente pelo tamanho do mercado, que é grande, com uma competição dura, os gastos são altos e não abrem condições para que um jogo seja apenas um pequeno sucesso, com poucas unidades vendidas. Ele tem que vender bastante para conseguir financiar o próximo projeto da empresa. É um pouco improvável ver pequenas empresas de videogames especializadas em um grupo de jogadores, com cinco empregados como era muito comum nos computadores.
São duas maneiras de se jogar, são dois tipos de jogos diferentes, que começam a se dividir mais ainda, com o aumento da exclusividade entre as plataformas. Cada uma tem vantagens e desvantagens e proporcionam experiências diferentes, cabe ao jogador verificar qual dessas experiências ele gostaria de conhecer, mas para os mais antigos não custa tentar os novos lançamentos. Para de resmungar e pega o Playstation do seu filho, que você já esta de olha há muito tempo e jogue um pouco ou vá à casa daquele amigo que tem Winning Eleven e passe a tarde jogando uma boa partida de futebol.
Enquanto isso eu fico jogando meu Playstation 2 esperando os próximos lançamentos para computador no final de ano, quando meu novo amigo devera ter umas férias enquanto jogo: Rome: Total War, Battles for Middle Erath... Até chegar a mais nova leva de jogos com suas placas GEForce6000, incompatíveis como as antigas, que sem querer fazem você trocar todo o computador.
E assim vou jogando um pouco aqui ou pouco ali, pegando o melhor de dois mundos, diferentes, porem mais divertidos do que imaginava. E sim os RPGs de videogames são tão bons quanto os de computador e muito melhor que os últimos que foram lançados. Na próxima semana Final Fantasy X, o jogo que me deixou apaixonado pelo PS2.
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