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Nós vimos II: Cazuza - O Tempo Não Pára
Por Rian Córdova — Terça, 22 de junho de 2004
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10 anos em 98 minutos
Nos penteados, festas ou shoppings, os anos 80 estão na cabeça das pessoas. Por isso, o filme Cazuza - O tempo Não Pára chega num momento oportuno para observarmos o transe de uma juventude a partir da vida de um dos seus ícones: Cazuza.
O filme reúne nomes famosos no circuitão nacional: Flavio Tambellini, Daniel Filho, Walter Carvalho e Sandra Werneck. A diretora evoluiu, depois de alguns surtos cinematográficos, vide Pequeno Dicionário Amoroso e Amores Possíveis. Já Walter Carvalho, onipresente em 90% dos grandes lançamentos nacionais, trabalha com captação de imagens utilizando iluminação ora natural ora estourada, como se o filme tivesse sido rodado durante os anos 80.
Os coadjuvantes que fizeram parte de vida (louca vida) de Cazuza foram preservados nas devidas proporções. O produtor musical Ezequiel Neves, por exemplo, foi apresentado ao filme como Zeca, um personagem que “perde a linha, cheira todas e não poupa pintas”.
O filme é baseado no livro Cazuza - Só as Mães São Felizes, de Lúcia Araújo, mãe do ídolo. Por isso, a abordagem da vida de Cazuza é bem light. Imagine uma análise rigorosa de sua vida, caro leitor, feito por sua própria mãe. Pelo menos, Lúcia Araújo deu grande apoio ao projeto do filme. Ela emprestou as roupas do filho para o figurino e, até mesmo, sua casa de campo em Petrópolis virou uma locação do filme.
Cerca de dez anos da vida do astro foram condensados radicalmente em 98 minutos de filme. Por isso, todas os personagens são abordados superficialmente. Inclusive, o próprio protagonista não tem nenhum momento de reflexão em suas atuações. O que se vê são apenas transgressões romantizadas e um excesso de frases de efeito nos diálogos. Pelo menos, elas foram muito bem executadas por Daniel Oliveira.
Evoluindo dos diálogos para um estado chocante de mudez não poderia faltar escorregões num filme desses. Temos a cena de estréia no show O Tempo Não Pára, no Canecão. Se a intenção da produção é homenagear Ezequiel Nevese e Lucia Araújo, tudo bem. Mas colocá-los ao lado dos atores que os interpretam foi “over”.
O diretor do show O Tempo Não Pára, Ney Matagrosso não aparece no filme. Ney estava nos primeiros tratamentos do roteiro, mas foi deixado de lado na história por motivos misteriosos. Ele foi um dos primeiros artistas a gravar uma composição de Cazuza (Pro Dia Nascer Feliz). E claro, os dois tiveram um caso conhecido por todos.
Com certeza, esse é um belo registro da trajetória de Cazuza. Os fãs podem chorar ou espernear com essa sinopse de filme. Mas essa é apenas uma leitura da vida do astro. Muitas outras hão de ser reveladas, enquanto o tempo não pára...
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