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Ah, se o tempo parasse!
Por Tiago Cordeiro — Terça, 22 de junho de 2004
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Se o cinema fosse uma dissertação de mestrado, filmes sobre ídolos de rock mereceriam, pelo menos, um capítulo. Desde cinebiografias de John Lennon (até mesmo a falecida Linda McCartney foi retratada na telona) a outras lendas como Jim Morrison e Elvis Presley, o tema jamais agradou aos fãs e telespectadores plenamente e com Cazuza - O Tempo Não Pára (dirigido por Walter Carvalho e Sandra Werneck) não há porquê ser diferente.
O filme retrata o ex-vocalista do Barão Vermelho, Cazuza. Talvez o maior dos ícones musicais dos anos 80 (que gerou referências do rock'n'roll nacional como Renato Russo e Herbert Vianna), Cazuza morreu de AIDS aos 32 anos deixando um buraco ainda não ocupado na música brasileira. A maior parte das reclamações são fruto de erros do roteiro, assinado por Fernando Bonassi e Victor Navas. O trabalho dos dois faz de Cazuza (Daniel de Oliveira) um sujeito que declama falas supostamente poéticas e magistrais, o deixando menos real, e torna os amigos do cantor (Maneco/André Gonçalves, Bebel/Leandra Leal, e Malu/Andréa Beltrão são alguns deles) personagens que ora são importantes, ora não abrem a boca. Tudo isso poderia estragar o filme. Poderia.
Tudo começa a se salvar quando o roteiro centraliza a história na relação quase edipiana do protagonista com a mãe (Marieta Severo) e os conflitos com o pai (Reginaldo Farias). Embora este último fique um pouco de lado para dar mais espaço ao primeiro, já que o filme foi inspirado no livro Só as Mães São Felizes escrito por Lucinha Araújo, mãe do artista. Isso também deixa o fraco desempenho dos intérpretes dos membros do Barão Vermelho menos visível.
Sem poder fugir do que todo mundo já sabe, Daniel de Oliveira confirma ser muito mais do que apenas um ex-membro de Malhação. Ele começa apenas convencendo como Cazuza em um filme ficcional, mas no final toma conta do papel, fazendo a película quase ganhar um ar documental (na fase terminal da vida do artista, Oliveira está quase idêntico). Porém, a fotografia de Walter Carvalho também é ponto-chave, contribuindo para o desempenho do artista (como na gravação de Ideologia no estúdio, em que o efeito deixa aumentar a semelhança). Enfim, para relembrar a poesia e o talento de Cazuza, os pontos positivos chamam muito mais a atenção.
Por tudo isso, Cazuza - O Tempo Não Pára é um bom filme, apesar de seus erros. Os méritos ofuscam os problemas e o genial poeta é definido e homenageado de tal jeito que a única coisa que o espectador deseja ao final é que o tempo pudesse parar um pouco, ou quem sabe, voltasse até uma época em que o “maior abandonado” fazia música de um jeito que dá saudade. E que saudade.
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