 |
Road Movies - Parte III
Por Maria Luiza Porto — Segunda, 21 de junho de 2004
|
|
Bem-vindo ao Sobrecarga, seu destino para as principais matérias sobre Filmes, Séries, Quadrinhos, Música e muito mais... se você puder agüentar!
Use a barra superior do site para navegar entre os assuntos e confira, no final de cada texto, outras matérias relacionadas ao assunto.
Na barra lateral do site você encontra sempre boas ofertas de produtos relacionados ao universo pop, ajude o site visitando nossos patrocinadores.
Volte sempre!
|
Easy Rider é um filme clássico, e não só porque na capa do DVD vem uma etiqueta com esse título, mas por ser a representação de toda a ideologia perdida de uma geração que acreditava, antes de tudo, no direito de ser livre.
Estrelado por Peter Fonda e Dennis Hopper, o filme narra a história de dois amigos que, após ganharem uma bolada vendendo pó, saem pela estrada em suas motos possantes em direção à curtição do Mardi Gras de Nova Orleans. Wyatt, personagem de Peter Fonda, vestido de Capitão América, e Billy (Dennis Hopper), o hippie doidão com colar de ossos no pescoço, vão em busca do sonho americano. No caminho, se deparam com uma América reacionária e careta, que se nega a acolhê-los e alimentá-los.
O filme é de 69. O movimento da contracultura estava fervilhando na terra do "Tio Sam". Os EUA tinham se tornado a nação mais próspera do mundo após o fim da Guerra Fria e o culto ao consumismo começava a tomar forma com a disseminação do "american way of life" no país e no resto do planeta. Os hippies formavam comunidades nômades espalhadas por todo o território, no intuito de combater o modo de vida social imposto, praticando sexo livre, consumindo drogas e ouvindo muito, mas muito Bob Dylan e Janis Joplin. Boa mesmo era essa época, em que se tinha uma desculpa para ser doidão...
O personagem mais “lúcido” da película é George Hanson (um Jack Nicholson garoto, com um sotaque de caipira muito chatinho) um advogado alcoólatra que a dupla conhece na cadeia após ter sido presa por participar, ilegalmente, de um desfile tradicional pela avenida de uma cidadezinha pequena do Oeste. O diálogo mais emblemático do filme se dá na cena em que os três estão acampados na beira da estrada, pois os hotéis, mesmo os mais chinfrins, se recusam a hospedá-los, fumando maconha (parecem até que eles se alimentam da erva) e conversando sobre estarem despertando repulsa na população local. George diz: “Sabem, este país já foi muito bom. Não entendo o que está acontecendo com ele... É difícil ser livre quando se é comprado e vendido no mercado”. Ele ainda chama a atenção ao fato de que a liberdade que eles representam, por suas roupas e atitudes não-convencionais, incomoda demais àqueles que vivem de acordo com o sistema. É nesse momento que Billy reage dizendo que ele não bota ninguém pra correr de medo e, então, George alerta: “Não. Você é quem corre perigo”.
O fim trágico do filme é mais do que uma metáfora de que o sonho americano é uma ilusão vendida e que o ideal de liberdade daquela década era tão frágil quanto seus corpos, alvos fáceis no meio da estrada. Mesmo assim, eu, como parte involuntária da “geração Coca-Cola”, me mergulho em nostalgia quando assisto a um filme como Easy Rider. E pensar que, naquela época, ainda se acreditava que existia vida além das regras mercadológicas, que poderíamos ter a opção de não nos tornarmos parte inerente do consumismo escravocrata. É, ”born to wild”... “but despite of our rage we're still just a rat in the cage”.
|
 |