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Cazuza - O Tempo Não Pára
Por Equipe Sobrecarga — Sexta, 11 de junho de 2004
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Rio de Janeiro, 11 de junho de 1980 - Sob a lona do Circo Voador, um jovem muito maquiado canta uma música em inglês. Era Cazuza (Daniel de Oliveira), mais um entre inúmeros aspirantes ao sucesso que se apresentavam no espaço mais democrático da época.
Instável e desafiador, mas também extremamente sedutor, ele vivia sua confortável vida de garoto da Zona Sul sob a cerrada vigilância da mãe. Mas Cazuza queria mais...
Sua urgência transgressora que não conhecia limites e se refletia em todas as áreas de sua vida – nas relações afetivas, nas novas experiências, no amor pelo perigo, na criação artística. E ele logo descobriu que a música era a melhor maneira de expressar essa urgência.
O encontro com o guitarrista Roberto Frejat, o baixista Dé, o baterista Guto Gofi e o tecladista Maurício foi a primeira etapa de sua vitoriosa carreira de letrista. Junto com o Barão Vermelho, Cazuza viaja, conhece o Brasil, vive novos afetos. Para atenuar a intensificação de conflitos familiares, é intimado a trabalhar com o pai, diretor de uma gravadora, onde conhece Zeca, produtor musical experiente, que se transforma em uma espécie de guru que lhe apresenta novos autores e poetas.
O jovem inquieto passa a surpreender com letras de alta densidade poética, que definiam sentimentos e idéias para a sua própria geração, até então, sem porta-voz. A apoteótica apresentação do Barão no 1º Rock in Rio em 1985 era a prova de que aqueles jovens que cresceram sob a ditadura podiam finalmente cantar Para o Dia Nascer Feliz.
O diagnóstico de que era portador do vírus HIV foi recebido pelo jovem artista com desespero, seguido da busca de novas formas de tratamento para uma doença que na época representava uma sentença de morte a curtíssimo prazo. E foi justamente sob esta condenação que Cazuza deu provas de uma coragem sem precedentes no país: expôs a doença e sua deterioração física, apresentou-se em público em shows comoventes, não abriu mão dos poucos prazeres que lhe restavam, disposto a viver o tempo que tivesse como sempre quis: fiel a si mesmo e aos seus sentimentos. No curto futuro duvidoso que viveu, Cazuza nunca mentiu para si mesmo ou para as pessoas que amava.
Cazuza morreu em 1990 aos 32 anos.
O roteiro do filme foi adaptado do livro Só As Mães São Felizes, de Lucinha Araújo, mãe do cantor, por Fernando Bonassi e Victor Navas.
Confira a crítica aqui e assista ao trailer no site oficial.
Cazuza - O Tempo Não Pára. Direção de Sandra Werneck e Walter Carvalho. Com Daniel de Oliveira, Marieta Severo, Reginaldo Faria, Leandra Leal, Andréa Beltrão, André Gonçalves, Cadu Favero. Distribuído por Columbia Pictures.
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