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Astroboy
Por Raphael Di Cunto — Terça, 8 de junho de 2004
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Muitos devem conhecer Osamu Tezuka, considerado o maior mangáka japonês, o mago da animação, o Walt Disney japonês, entre outros apelidos que ele tem por merecer. Sua maior obra é Astroboy, desenho da Mushi Productions, empresa do próprio Tezuka.
Como é costume dos animes, Tetsuwan Atomu (nome original, que significa “Poderoso Átomo”, fazendo alusão a um reator nuclear dentro do corpo do garoto, que lhe fornece energia) começou como um mangá, na famosa Shonen Magazine. O mangá foi publicado de 1963 até 1968.
O sucesso veio realmente com a série animada. Graças ao baixo orçamento o desenho utilizou-se de uma animação com menos quadros, que foi muito usada para baratear as produções de desenhos. Nesse tipo de animação o personagem não mexe muito a boca e não tem uma grande gama de movimentos. Para a época era uma revolução, e permitiu que muitas empresas desenvolvessem seus desenhos.
A história impressiona por sua simplicidade. Mesmo tratando de conceitos complexos, como viagens no tempo e dimensões paralelas, o desenho tinha uma incrível facilidade em mostrá-las ao telespectador de forma simples e sem grandes complicações, sem a necessidade de explicações confusas e que dificultariam o entendimento.
Outro ponto que chama a atenção são as idéias pacifistas de Tezuka. Numa época em que todos os mangás e desenhos apresentavam verdadeiras máquinas de destruição, sem nenhum escrúpulo ou ideais aparentes, Osamu demonstrou que, mesmo tendo a ação e combates como parte importante da história, era possível juntá-los a ideais pacifistas e ser a favor do desarmamento. Praticamente todo episódio ou volume do mangá apresentava essas idéias, além de definir o bem e o mal como partes de um conflito que precisava acabar. Eram essas idéias, mais que qualquer outras, que tornaram o desenho uma revolução para a época.
A história é a seguinte: ela se passa no ano 2000. Um cientista, famoso no campo da robótica, Dr. Boynton, perde seu filho, Aster Boynton, em um acidente de carro. Triste, ele resolve construir um robô a imagem e semelhança de seu filho, na esperança de tê-lo de volta na figura do robô. Terminada a invenção, o cientista percebe que o robô jamais irá crescer, e nunca substituirá seu filho, então resolve vende-lo a um circo, onde a principal atração são as lutas de robôs. Neste circo Aster é rebatizado de Astroboy, e sofre muito nas mãos do dono do circo. Revoltado com isso, o bom Dr. Elefun (uma pequena piada, fazendo referencia a seu grande nariz) salva o garoto do circo, e o orienta a usar os poderes para ajudar a humanidade. No Instituto de Ciências Astroboy ganha uma família biônica, com direito a pais, uma irmã (conhecida como Uran) e um cachorro.
Pode parecer bem simplista, e realmente o é. Mas também é assustadoramente interessante o quanto esta história é encantadora, e o quão boa ela pode ser. A primeira série era em branco e preto, e teve 193 episódios, com apenas 104 exportados para o exterior. Estes 104 episódios conseguiram chamar a atenção dos ocidentais quando começaram a competir quase que de igual para igual com séries de peso da época, como A Feiticeira e I Love Lucy. Infelizmente ela não chegou a ser exibida no Brasil.
Osamu Tezuka foi brilhante, a ponto de que até mesmo ele copiou sua própria série. De tão idêntica muitos a consideram como uma outra série de Astroboy, mas não é isso que ocorre. Jetter Mars, exibido no Brasil como O Menino Biônico, teve bem menos repercussão que seu antecessor. Apenas algumas mudanças, como o nome do personagem principal ser Jet, e algumas mudanças na personalidade de certos personagens. È claro que esta não foi a única cópia, ou inspiração, que Astroboy gerou, mas está é a mais interessante, por ser do mesmo autor.
Além de numerosas versões live-action, Astroboy teve um longa de animação para o cinema, em 1964, e uma nova série de tv, agora colorida, em 1980, com 52 episódios (que está sendo exibida pelo Cartoon Network, de segunda a sexta, às 16h30).
Atualmente a Sony está trabalhando em uma nova série de tv, e tem projetos para lançar um novo filme ainda em 2004. O filme está confirmado, e apenas a data é incerta. O produtor é o consagrado Genndy Tartakovsky (Samurai Jack e erras Clônicas, dois desenhos magníficos), com co-produção de Don Murphy (Do Inferno), ao lado de Lisa Henson e Cristine Belson (ambas da Jim Helson Pictures). O roteiro é de Todd Alcot (Formiguinhaz) e Ken Kaufman (Cowboys do Espaço).
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