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O Novo Velho Harry Potter
Por Luiz Eduardo Ricon — Sexta, 4 de junho de 2004
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Eu não gosto de Harry Potter.
Não que eu desgoste ou odeie o bruxinho. Muito pelo contrário.
Admiro muito o seu sucesso de mídia, acho extremamente interessante como fenômeno da cultura de massa, e acho ainda mais interessante (e importante) como um grande estímulo à criação de novos (e jovens) leitores.
Mas gostar mesmo eu não gosto, sabe?
Claro que eu tenho os livros (ainda me falta o último). Até tentei ler o primeiro: parei no meio. Tudo ali me parecia morno, requentado, de ja vu: sem graça mesmo...
Minha mulher, meus filhos e o resto do mundo adoram. Eu não consigo gostar.
Claro que eu vi os filmes e comprei os DVDs, mas para ser sincero eu sempre acho que falta alguma coisa...
Me lembro que quando vi o primeiro filme, até gostei, mas achei frio demais. A história não engrenava, os atores mirins eram bons mas não me empolgou.
Fui logo pondo a culpa no Chris Columbus (o diretor). Depois, me disseram que a autora (a inglesa J. K. Rowling) criou muita confusão, interferindo demais no roteiro e pensei: “ah, então foi por isso que o filme não funcionou!”
Porém, a cada novo livro e a cada novo filme de Harry Potter essa mesma sensação retorna, e eu vou me tornando assim mais e mais como um alienígena. Totalmente alheio àquele fenômeno que emociona e encanta tanta gente.
Claro que fui para a sessão de imprensa de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban torcendo por uma mudança.
Os atores cresceram, estão adolescentes, o diretor é novo, prometeu um filme mais sombrio, mais “adulto”. Tem o Gary Oldman, um dos mais instigantes e imprevisíveis atores que se pode querer no papel de vilão e ainda tem a Emma Thompson, que é sempre uma grande atriz...
Porém, logo no primeiro terço do filme a gente já percebe que o que vamos ver é mais do mesmo.
Não que seja ruim, veja bem. Eu achei este o melhor de todos os filmes. Alfonso Cuarón realmente tem uma mão bem melhor do que Chris Columbus e consegue guiar de forma muito mais interessante as peripécias do trio de jovens magos em suas investigações à la Scooby-Doo.
Mas a velha “fórmula” continua a mesma.
Começamos o filme com a mesma cena de Harry no quarto, depois temos a mesma sequência engraçada na casa dos Dursley, onde Harry vai novamente terminar fugindo de casa. Daí temos uma sequência com um veículo mágico engraçado (o carro voador no anteiror, um ônibus-fantasma neste) e o mesmo perigo mortal rondando Harry Potter (dessa vez a ameaça de Sirius Black, um fugitivo da inescapável prisão de Azkaban). Depois chegamos a Hogwatrs, onde temos novos professores (incluindo uma forçada contratação do gigante Hargrid), novas piadas com Neville Longbottom, novas cenas de atrito com o eterno rival e bully Draco Malfoy (um tanto esvaziado no filme) e etc etc etc.
Os efeitos especiais estão melhores, as criaturas mais realistas (tirando uma que não posso revelar), com destaque para os Dementadores e seu visual meio Nazgûl. As interpretações estão a contento, apesar do pouco espaço para Gary Oldman brilhar. A história é boa, com viradas e soluções que mesmo quando não surpreendem são interssantes.
Saí do filme totalmente satisfeito como espectador. Mas continuo sem me empolgar com o mundo do Harry Potter. Ou eu estou ficando velho ou miss Rowling vai ter que se esforçar mais nos próximos livros e filmes se quiser me conquistar.
Com certeza o filme vai agradar em cheio a todos os que já são fãs, ou os que simplesmente gostam de Harry Potter,
Mas sabe como é... gostar mesmo eu não gosto, né?
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