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Cinéfilo, por gosto
Por Tiago Cordeiro — Quinta, 3 de junho de 2004
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Primeiramente, sei que estou atrasadésimo com vocês. Jamais atrasei tanto uma coluna e, acreditem, estou envergonhadíssimo. Lamento esse tempo longe de vocês, meus fiéis leitores, culpa do trabalho extra, mas aqui estou!
Certa vez, um conhecido me disse que todo o crítico deveria ter alguma experiência profissional com aquilo que critica. Ou seja, para ser crítico musical, fulano deveria tocar algum instrumento, para ser crítico de livros, ciclano deveria ter alguma experiência como romancista e por aí vai. Isto é algo que acho pra lá de discutível. Normalmente fazer algo em termos artísticos envolve mais do que conhecimento, envolve criatividade, aliada a um grande domínio daquela linguagem. Normalmente, ter a compreensão disso tornaria alguém um bom crítico, mas...
Comecei a escrever esse texto porquê essa lembrança e uma discussão que tive há algum tempo com um amigo meu, também crítico de cinema, me fizeram pensar muito no que faço aqui no Sobrecarga. Essa segunda discussão era sobre como ele fazia seu trabalho. Nas palavras do meu estimado colega:
- É comum eu assistir um filme duas vezes. A primeira como crítico e a segunda como espectador.
Discutindo com ele, comecei a me preocupar com o que as pessoas pensam que passa pela cabeça dos críticos. Quer dizer, será que todo mundo que me lê acredita que sou uma pessoa superséria que vai assistir filmes já me posicionando como o sr. sabe-tudo de filmes?
Lendo o texto até aqui, você deve estar se perguntando “o que diabos ele quer dizer com tudo isso?” Bom, desde que comecei a escrever críticas de filme sempre evito ir ao cinema pensando que sou crítico. Ou seja, estou escrevendo tudo isto porquê uma coisa que me fez ter medo da declaração de meu amigo é de que todos nós, críticos, podemos ser vistos como alguém que está sempre trazendo uma visão peculiar, acadêmica, prepotente e... Chata! Para mim, cinema é arte, é trabalho, é coisa séria, mas é, acima de tudo, diversão!
Logo, embora ache que entenda um pouquinho de cinema (sem um pingo de ironia), estou bem distante de me considerar alguém que precisa de tanto distanciamento para ver filmes. Então, estimados leitores, reitero que sou crítico sim, com muito orgulho! Mas, muito antes de ser crítico, sou espectador, cinéfilo e uma pessoa que gosta de se divertir. E não acredito ser possível separar o crítico do espectador de forma tão absoluta.
Até porquê, repetindo, cinema é a maior diversão! E fim de papo!
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