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Mada cresce e mostra garra dos independentes
Por Mônica Loureiro — Terça, 1 de junho de 2004
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O Mada - Música alimento da alma - é um dos festivais brasileiros de pop-rock que vem ganhando cada vez maior projeção. Sua sexta edição aconteceu nos dias 20, 21 e 22 de maio e eu estava lá, em Natal, para conferir.
O clima tranquilo na platéia - nenhuma briga nem violêcia registrada - e muita garra independente no palco deram o tom. Não houve grandes revelações, mas o nível das atrações foi bom. Nos três dias, 25 mil pessoas estiveram na Arena do Imirá, na Via Costeira, para assistir sons independentes e consagrados.
O primeiro dia, que teve Sepultura e O Rappa, foi o de maior público, ultrapassando as 10 mil pessoas. A platéia era formada em sua maioria pelos fãs da banda mineira: jovens vestidos de preto, cheios de acessórios (tinha um garoto de capuz usando um crucifixo enorme e de cabeça para baixo no pescoço). Muitos vinham da periferia e de caravanas dos estados vizinhos. Mas certamente houve um significativo acréscimo dos fãs do Rappa, que costumam lotar onde quer que toquem. Para quem ficou até o final da maratona de nove shows, ainda teve a chance de assistir aos dois cantando "Ninguém regula a América".
Entre os independentes da noite de quinta, quem chamou a atenção - mais do que a própria música - foi o visual drag de Flaviano André. Ele é vocalista da banda paraibana Star 61, e se apresenta vestido de noiva, com plumas vermelhas e uma peruca moicana rosa.
Magérrimo e de aparelho nos dentes, a figura mandou ver num rock recheado de influências do Smiths - com direito a cover -, Secos e Molhados, David Bowie e por aí vai. Na mesma noite se apresentaram os potiguares Jane Fonda e Agregados Família do Rap. As duas, que já têm um trabalho conhecido pelo público local, foram as melhores da noite. A primeira, heavy metal, ganha muito com a presença do vocalista Rodrigo BS, carismático e de voz poderosa, que já abriu o show cantando no gargarejo, perto da galera. E o Agregados, com seus quatro rappers, dois dançarinos e letras de identificação direta com o público, aproveitaram para lançar o clipe da música "Orgulho", que foi exibido nos telões antes do show.
Depois do peso da quinta, a noite seguinte amornou. O público era visivelmente menor e as atrações bastante ecléticas. Teve desde a fraca Pangaio, com uma mistura percussiva confusa; passando por Los Canos, com músicas com sonoridade pesada e temática adolescente do tipo "Uma bandinha de rock" e "Gatinha"; até o estilo anos 80 do Uskaravelho. Essa última fez questão de destacar uma característica que foi mais um ponto positivo no Mada: as bandas ousaram e fizeram questão de apresentar um trabalho próprio, sem recorrer ao apelo fácil de covers.
Ainda na sexta se apresentaram a experiente banda paraibana Chico Correa e Eletronic Band - que esteve no último Tim Festival - e a dupla piauense Lado 2 Estéreo, que chamou a atenção com seu "pancadão punk". As atrações nacionais da noite foram Marcelo D2, que parecia estar cantando em casa, tal era a empolgação, e Lulu Santos que, com sua marra de sempre, por pouco perde seus fãs potiguares. Ele dedicou o show "a uma pessoa que ele havia encontrado no Gero, no Rio": a governadora do Rio Grande do Norte, Wilma Faria. A vaia foi imediata, mas Lulu não se inibiu: "Mas não foram vocês mesmos que votaram nela duas, três vezes? Bem que Ciro Gomes disse que seria muita coragem eu fazer isso. O show continua sendo dedicado a ela. E para vocês também", peitou ele, que depois ainda reclamou que o som do Circo Eletrônico estava atrapalhando. O que foi atendido de imediato: a tenda só voltou durante o show de D2 que, aliás, deu uma canja mais tarde, cantando e mexendo nas carrapetas ao lado do DJ Patife.
Sábado, dia em que pela primeira vez o Mada iria apresentar uma atração internacional, foi o dia mais fraco de público. Por volta de 6 mil pessoas assistiram ao show dos novaiorquinos do The Walkmen e de Jorge Benjor, que encerrou o festival. A noite abriu com a carioca Ramirez, com o estilo "menina-roqueira-vestida-de-preto-porém-gostosa" das integrantes. Os méritos ficaram mesmo para os potiguares Allface e The Automatics e com o pernambucano (quase carioca) China. O Allface, com Anderson Risuenho à frente, mostrou sua batida hardcore entrecortada por criativas variações melódicas. Na meia hora padrão reservada para as bandas, o Allface apresentou músicas do novo CD, como "Ícaro", "Reflexo" e "Quanto vale o seu sorriso". Já o trio The Automatics foi a única banda do festival a apresentar um repertório em inglês, todas músicas próprias. China cantou as músicas de seu CD "Um só", lançado recentemente pelo selo carioca Cardume, e matou rapidamente as saudades de seu ex-grupo Sheik Tosado com "A emparedada da Rua Nova". Ele aproveitou para elogiar os festivais alternativos e dizer que hoje se fixar no Sul é mais opção que necessidade para as bandas do Nordeste.
O grande momento da noite foi, sem dúvida, o show da banda norte-americana The Walkmen. Ainda desconhecida e sem disco lançado no Brasil, o quinteto apresentou mum show rascante, de uma intensidade invejável. Na entrevista antes do show, se mostraram extremamente simpáticos e piadistas. "Estamos lançando nosso segundo CD e tínhamos muita vontade de vir ao Brasil desde que o The Makers fez uma turnê no país e nos falou muito bem", diz o vocalista Hamilton Leithauser. Quando a proposta foi tocar com exclusividade em Natal, a banda ficou mais interessada ainda. Um dos itens do contrato previa que a banda tivesse dois dias de folga antes do show. "Perdi o óculos e a carteira em Genipabu", brinca o baterista Matt Barrick, falando das aventuras em terras potiguares.
Na próxima coluna, vou falar sobre as bandas mais legais que se apresentaram no Mada 2004. Lado 2 Estéreo, The Automatics, Agregados Família do Rap, com quem bati um papo. E ainda a Folcore, que passou pelo Mada do ano passado, e estava lá como expositora na Feira Mix, com seu novo CD e avisando que está de malas prontar para se fixar no Rio.
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