Caruso vê São Paulo

Por Eloyr Pacheco — Quarta, 26 de maio de 2004

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No tradicional Salão de Humor de Piracicaba, em 1998, numa animada comemoração pelo sucesso daquele ano, conheci pessoalmente Paulo Caruso mas, devido ao assédio, pouco pude conversar com ele e, provavelmente, ele nem se lembre de mim daquela época. Neste dia assisti ao pocket show que Paulo e o irmão apresentaram aos convidados.

Acompanho há anos o trabalho dos irmãos Caruso com admiração. Chico Caruso, seu irmão gêmeo, mora e trabalha no Rio de Janeiro, e atualmente apresenta sua “charge animada” no Jornal Nacional, da Globo. À qual, embora sempre “zapeando”, costumo parar para ver. Paulo costuma brincar dizendo que o irmão foi “adotado” pela família Marinho.

Paulo nasceu em 1949, em São Paulo, capital, aos 18 anos já trabalhava profissionalmente. Foi editor da famosa revista Balão, suplemento de quadrinhos da Folha de São Paulo. Creio que tornou-se mais conhecido pelo seu trabalho nas revistas Isto É e Veja. Coletâneas do seu trabalho resultaram em vários livros, pelo que sei, são eles: Ecos do Ipiranga – O grito que não houve; Bar Brasil; Bar Brasil na Nova República; Avenida Brasil – a transição pelas vias da dúvida e Avenida Brasil – assim caminha a modernidade. Destes, penitencio-me, só tenho dois: Bar Brasil na Nova República, pela L&PM Editores e Avenida Brasil – assim caminha a humanidade, pela Editora Globo. A série Bar Brasil foi produzida por Paulo em parceria com o escritor Alex Solnik. Uma outra parceria, desta vez com o escritor Kafic Jorge Farah, rendeu o livro Capitão Bandeira – Aventuras e desventuras de um super-herói tropical, também pela L&PM.



O edifício Copan. Repare na espécie de onda e perceba a sensibilidade de Paulo para "caricaturizar" o prédio

Paulo Caruso lançou recentemente o livro São Paulo – uma visão bem-humorada sobre esta cidade, pela Imprensa Oficial. Das 80 ilustrações do livro, 12 delas foram selecionadas para ilustrar o calendário de 2004 da Imprensa Oficial, com a qual ele já havia publicado, ao lado da Academia Paulista de Magistrados, Ao Encontro da Lei - o Novo Código Civil ao alcance de todos, escrito pelo Desembargador José Rodrigues de Carvalho Netto.

Recentemente fui “oficialmente” apresentado a Paulo Caruso, com quem tive a oportunidade de bater um pequeno papo. Desta vez, antes e depois da apresentação do documentário Rio de Jano, no espaço Unibanco, trocamos algumas idéias. Afirmei-lhe que editor é um desenhista/artista frustrado, principalmente no meu caso, que ciente da minha mediocridade, preferi editar do que continuar desenhando. Paulo filosofou comigo colocando em discussão que talvez o artista seja um editor frustrado (?).

Perguntei-lhe sobre o scanner, lembrando que os originais sempre grandes davam muito trabalho para serem digitalizados. Paulo comentou que com a assimilação da tecnologia pelos artistas, principalmente em seu caso, os originais diminuíram de tamanho. Aí está uma perda, penso eu, que a modernidade trouxe para as futuras gerações, originais cada vez menores e, possivelmente inacabados, pois provavelmente sejam finalizados no computador. Os museus devem mudar em muito no futuro, creio que teremos telas de cristal liquido nas paredes como plataforma para expor as artes. Conjecturas.


A conhecida Praça da Sé no traço de Paulo Caruso

Comentei também sobre o seu olhar da capital paulista: afirmei que gostei bastante dele ter “caricaturizado” os prédios e pontos turísticos da cidade, especialmente o famoso edifício Copan, projetado por Oscar Niemayer em 1951. Paulo consentiu dizendo que não queria simplesmente fazer um registro visual da cidade, mas dar a sua visão. No caso, como um artista vê a cidade. Concordo plenamente. O resultado do trabalho de Paulo Caruso sobre a cidade de São Paulo ficou bastante interessante, e vai além do registro visual da cidade, é, de fato, uma visão única de um artista genial.

Até semana que vem. Tchau.




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