17 anos de Street Fighter - Parte I

Por Raphael Di Cunto — Segunda, 24 de maio de 2004

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Em comemoração aos 17 anos deste fantástico game, a coluna desta semana tratará dos não menos fabulosos desenhos baseados na história dos jogos. A série de jogos é bem famosa, e terá um novo game, anunciado este ano na E3 (maior convenção de games do mundo). O nome do jogo será Capcom Fighting Jam, e contará com a presença de personagens de diversos jogos de SF. Ele sairá no final do ano, para Playstation 2 e X-Box.

Street Fighter teve, além das várias séries de jogos e bonecos (estes últimos são bem feitos e detalhistas, mas também custam uma fortuna), aquele “fantástico” filme com o Jean Claude Van Danme, que colocava Guile como o principal, e um Bison magrinho e sem muito carisma (além daquela história furada para o Blanka, de que ele ficou verde por ver muitas cenas violentas... estava até parecendo o Hulk!). Sem ataques especiais para os personagens, e um roteiro bem fraco, o filme pode ser considerado bem ruim. Felizmente, o mesmo não acontece com as séries e as animações.

O maior problema das séries lançadas foi o duplo enredo, ocasionado pela estranha adaptação feita na série para se adequar aos dois lados do globo (Ocidente e Oriente). Mudanças nos nomes foram comuns, mas não foram o grande problema: os japoneses desenvolveram uma série e dois filmes, que podem ser considerados “oficiais” (Street Fighter – The Movie, em 1994, Street Fighter II – V, em 95, e Street Figter Alpha- The Movie, em 2001). Já os EUA produziram uma série bem mais infantil, e inferior, (Street Fighter –The Cartoon, em 95 e 96), e aquele horrendo filme com o Soldado Universal (Van Danme).

Os motivos para estes dois enredos são bem fáceis de serem compreendidos quando se olha para os protagonistas: as do Japão tem Ryu, considerado o Street Fighter número 1, como principal (Ryu é japonês), e as dos Estados Unidos tem o Guile com protagonista, um militar americano. Já deve ter dado para entender, certo?

Vamos guardar o melhor para o final, e falemos um pouco do desenho produzido nas terras do senhor Bush. Street Fighter –The Cartoon ou Street Fighter: Code of Honor (SF: Código de Honra) é a série mais infantil de todas, e, talvez por isso, a pior. O desenho é como uma continuação do filme produzido nos EUA: Guile é o líder de um grupo antiterrorismo internacional composto por outros Street Fighters, como Ryu, Ken, Chun-li e Blanka. Apesar do desenho ser mal animado, com um roteiro bem fraco, e uma história bem estranha (afinal, Bison tinha sido derrotado no filme, como ele continua líder da Shadowloo?), ele serve para explicar alguns acontecimentos até antes obscuros (como quem matou o antigo mestre de Ryu e Ken). É um desenho mais infantil, e teve duas temporadas, com 26 episódios ao total, cada um de 30 minutos.



Se o americano é ruim, pelo menos podemos contar com os japoneses. Sua série de tv, Street Fighter II –V é milhares de vezes superior, tanto em roteiro como em animação. Ela foi desenvolvida para ser como uma espécie de “como seria a juventude dos heróis de Street Fighter, e como eles desenvolveram seus ataques”. Na série Ryu, Ken, Fei Long e Vega têm 17 anos cada, Guile tem 25, e Chun Li 15 (a idade de outros personagens é desconhecida, como Cammy, que é apresentada mais velha que Chun Li, mesmo sendo mais nova). Para aqueles que conhecem a cronologia de SF bem, a série apresentará uma série de furos (como Balrog não lutar, Chun Li ser mais nova que Cammy, Guile sem seu Sonic Boom, Zangief do lado da Shadowloo, Sagat sendo acusado injustamente por não querer perder uma luta, e se encontrando na cadeia, entre outros pormenores).

Para a execução do desenho foram contratadas pessoas de renome, e que já tinham trabalhado com SF. Entre eles se encontra o diretor geral, Gissaburo Sugii, que esteve envolvido com o longa-metragem animado SF –The Movie, Shiniti Tohkairin, responsável pelas cenas de luta do filme, e o roteirista e produtor do longa em animação, Kenichi Imai, que também foi um dos produtores do live-action (o filme com o Van Danme). Também da versão live-action temos o consultor de artes marciais, Kenya Sawada, que interpretou o Capitão Sawada no live. A dupla Chage & Aska ficou responsável pela parte musical (que também é um dos pontos fortes do desenho). Pode-se perceber todo o cuidado que tiveram quando se sabe que ouve até mesmo consultoria de moda para a produção da série (por exemplo, Ken, um rico milionário, veste roupas da grife Georgio Armani e Versatti). A produção foi obra de quatro empresas: Capcom, Amuse, Group Tac e a TV Youmiuri (do Japão).

Com esse elenco de primeira categoria, não se poderia esperar nada a menos que um grande desenho, e é exatamente o que temos. A série tem 29 episódios, de 30 minutos cada. Ainda não foi possível definir o que é o “V” do título, mas no Brasil virou Victory (Vitória).

Para se entender bem a série, já que ela saiu do ar ano passado, e não tem data de volta, vou fazer um pequeno resumo de como estão os personagens. Como não poderia deixar de ser, o protagonista é Ryu, um jovem lutador de artes marciais, que recebe um convite de seu amigo Ken, com o qual treinou a muitos anos atrás, para visitar os Estados Unidos. Lá Ryu percebe toda a fortuna pertencente a família Masters (e não é pouco não, para se ter uma idéia, só para atravessar seu jardim demora-se 20 minutos de carro...). Nos EUA eles encontram Guile (sem seu Sonic Boom... na verdade, os únicos a apresentarem poderes especiais na série são Ryu, Bison, Ken, Dhalsim e um velho japonês que Ryu conhece em um shopping e que lhe ensina a técnica do Hadou), e depois dos amigos perderem para ele, eles resolvem sair pelo mundo em busca de lutadores mais fortes para desafiar.

A história vai se desenrolando, com novos personagens sendo apresentados: Sagat foi preso injustamente por não querer perder uma luta de Muai- Thay (boxe tailandês), e Ryu o encontra quando vai para a cadeia. Nesta série ele se encontra sem suas marcas características (a cicatriz no peito e o tapa-olho, ambas causadas por Ryu). Fei Long é um ator famoso de filmes de Kung Fu, que fica chateado por tudo no cinema ser falso, até encontrar Ken, e travar uma luta impressionante contra ele. Dhalsim está recluso em uma pequena aldeia na Índia, e Ryu o procura para conseguir dominar o Hadouko, mais tarde chamado por ele de Hadouken. Vega enfrenta Ken em um duelo impressionante, e se mostra um dos maiores lutadores da série, num estilo que mistura grandes saltos com chutes potentes. Chun Li é uma guia turística, e se encontra com Ryu e Ken quando eles estão em Hong-Kong. Zangief aparece nos últimos episódios, como um agente da Shadowloo, e tem uma luta meio fraca com Guile. Cammy é uma assassina a serviço da organização de Bison, mas que, ao descobrir que suas vítimas são inocentes, e que ela trabalha para uma organização terrorista, ataca um indefeso Balrog (nessa série ele não luta nem por um segundo sequer, mas continua trabalhando para a Shadowloo como uma espécie de agente).

Vários Street Fighters famosos não aparecem, como Blanka e T. Hawk, mas não é grande problema, uma vez que temos outros personagens, alguns inéditos, como por exemplo Riko, a neta do patrão de Ryu no Japão, Lin, o líder da Ashura, uma máfia sócia da Shadowloo, e alguns que foram apenas citados nos jogos, como o policial Dubal, pai de Chun Li. Para finalizar as aparições no desenho, temos o lutador mais forte de Street Fighter (Akuma, ou Gouki no Japão) em uma espécie de “onde está Wally?”. Ele aparece no fundo de várias cenas, mas não tem nenhum papel na trama. Nota: para quem não o conhece, Akuma é o irmão do mestre de Ryu e Ken, e que matou seu irmão e mestres para ficar mais forte.

Como o assunto rende muito mais a se falar, continuaremos na coluna da próxima semana. “Nós vamos ao encontro do mais forte!” (essa frase ficou famosa por fechar a série acima).



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