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Nós lemos: Mosh! nº4
Por Marcelo Tavela — Sexta, 21 de maio de 2004
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O fator bacanidade da Mosh! é inversamente proporcional ao seu tamanho. A revistinha, de aproximadamente 10 cm x 15 cm, foi o que de mais legal surgiu nas HQs independentes do Rio de Janeiro nos últimos tempos, principalmente pela qualidade artística e do conteúdo. Um dos seus principais méritos foi colocar um povo que normalmente não lê HQ para ler HQ, como pôde ser conferido em suas animadas festinhas de lançamento.
Outro grande mérito: da primeira para a quarta edição, a revista dobrou de tamanho (de 32 para 64 páginas), dando espaço para mais gente, sem mudar o preço de R$ 3. Uma atitude bem punk, só para ficar na temática Quadrinhos & Rock’n’Roll.
A Mosh 4 é aberta pelo prata daqui da casa Vinicius Mitchell, com Meu pai sempre escuta os mesmo discos, abordando a nostalgia que impede a experimentação. Os destaque são a cutucada na poluição dos mares, os diálogos cotidianos e normais e a participação especial do Homem que nunca sorri e da Sonia Braga.
Depois, Gustavo Alves e a bela arte minimalista de Odyr Bernardes enfocam fenômeno do “envelhecer musical” em Adeus ao Rock.
O que é pior que um amigo pentelho? Um amigo pentelho e guitarrista. É o que Fábio Lyra e sua Menina Infinito provam, em sua incursão ao mundo dos seres que habitam a Casa da Matriz na segunda à noite, com uma sutil inspiração mauríciodesouziana nos personagens.
O time do SoBReCarGa volta com Klênio e Paulo Antunes em A Vida é um Circo, que tem como cenário o habitat natural do rock carioca, o Circo Voador, que, dizem as lendas, reabre ainda este semestre.
Após as gargalhadas proporcionadas no Tarja Preta, Juca dá suas caras na Mosh com Perdidas, injetando uma boa dose de humor hardcore e sexo engraçado.
A entrevista da vez é com os capixabas HC do Dead Fish, mas especificadamente com o vocalista Rodrigo, que se mostra muito descrente com o cenário do rock nacional.
O Super Rock Ghost de Fábio Monstro retorna, em um dos locais mais freqüentados pelos roqueiros: os tribunais. O traço simples e sujo casa bem com as aventuras do SRG, e também com seus convidados especiais (principalmente seu advogado).
Sandro Menezes apresenta mais um capítulo de sua série Flogs, o mais ácido deles. O PH baixo é refletido nas luzes e sombras, mais fortes do que nas histórias anteriores.
A sessão Comic Riffs, do Heitor Pitombo, traz uma matéria sobre o pessoal da Zap Comix (Robert Crumb, Gilbert Shelton, etc), uma das influências do pessoal da Mosh!.
Ofeliano entra aos 40 do segundo tempo com Color Jet, em seu traços simples e cores pastéis, para mostrar como a moda subverte tudo que é alternativo.
Fechando a revista, Renato Lima e sua Bad Karma mostram como o rock’n’roll é uma grande família. Duas páginas antes, as Figuras do Underground mostram a galera da Pepa Filmes e o ícone dos ícones Mutherfuck Ice Cream.
A Mosh pode ser encontrada nos principais lugares de quadrinhos e/ou rock no Rio. Para os não-cariocas, a alternativa é procurar nas lojas do HQ Club ou no site da revista.
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