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Nós lemos: Demolidor nº4
Por Marcelo Tavela — Sexta, 14 de maio de 2004
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A primeira coisa perceptível quando se começa a ler Demolidor 4 é que Alex Maleev está no lugar certo na hora certo. Ele é o desenhista ideal para a fase atual de Matt Murdock, com seu estilo “sujo” e com o uso de fotos e recursos digitais, imprimindo o ritmo que os roteiros que Brian Micahel Bendis escreve exigem.
Falando no alardeado roteirista, Bendis segue uma receita simples: ele foge do óbvio. O preview da Panini para esta edição indicava “o retorno do Metalóide”. Em vez de mostrar um quebra entre o Demolidor e o cara com a roupa de lata que estica as pernas, Bendis apresenta um diálogo mais do que hilário entre os alter-egos dos dois, mostrando o quão ridículo o Metalóide é.
Mas se é para fazer o retorno de alguém de forma sinistro, Bendis cumpre o serviço com na volta do Coruja. Belo exemplo de violência sem ser exagerada, só construindo o personagem.
Na história do Justiceiro, o irlandês Garth Ennis continua se divertindo com Frank Castle. Desta vez, ele é acompanhado pelo desenhista Cam Kennedy, cujo o estilo caricatural lembra um pouco seu antigo colega John McCrea, e casa bem com os roteiros.
Continuando com seus trejeitos psicopatas, Castle vai até o Texas atrás de um grupo que vende armas contrabandeadas do exército americano - não demora, ele deve estar investigando os paióis do exército brasileiro pelo mesmo motivo. Sexo (sugerido) e bons diálogos imprimem a marca de Ennis na diversão. Ele usa de forma muito sutil as referências - no caso específico, o massacre dos fanáticos davidianos de Waco – para lembrar-nos de onde ele tira suas idéias.
Falando em referências, elas poderiam ter sido mais utilizadas em Elektra. A ninja costumava ser o ponto fraco das publicações em que participava, mas desde o início desta, tem apresentado histórias interessantes. O escritor Robert Rodi tem mostrado a mesma trama do ponto de vista de vários personagens. Tem se saindo bem, mas é melhor apresentar uma idéia nova antes que esta se desgaste.
O roteiro mostra Elektra contratada para matar uma ditadora de um país fictício da África, com diálogos bacanas e personagens mais completas. Rodi podia ter dado nome aos bois, utilizando uma nação e um ditador verdadeiros, e defendendo sem metáforas a sua tese. Mas vale por trazer uma reflexão sobre o assunto. E a arte de Sean Chen cumpre o propósito, com uma Elektra bem volumosa.
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