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Atores virtuais roubando a cena?
Por Rafael Cardoso — Quarta, 8 de outubro de 2003
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Ontem, eu via o filme “Simone” (2002) com Al Pacino que trata da possibilidade de atores virtuais (criados por computador) conseguirem substituir os atores reais e comecei a me questionar sobre esta questão... O filme ainda fala sobre a necessidade humana de grandes ídolos, que cada vez mais precisam se aproximar da perfeição como verdadeiros Olimpianos, como diria o estudioso Edgar Morin. O filme é sem duvida uma boa opção nas locadoras, mas passados estes anos, o que antes era quase uma brincadeira, hoje em dia é uma realidade. É interessante notar, principalmente para aqueles que não viram o DVD de Simone, que a personagem virtual do filme foi propositalmente criada para parecer artificial, justamente por esta indagação que o filme deseja apresentar, agora não temos este “problema” com outros personagens virtuais.
Já vimos filmes totalmente criados no computador como “Final Fantasy” (2001) – apesar deste ser bem fraquinho – e cada vez mais os elementos digitais se tornam uma parte comum e até vitais da grande maioria dos filmes lançados. Muitos podem achar que é um exagero, mas eu apresento alguns exemplos de atores digitais que abafaram e ainda vão abafar nos cinemas.
“Que tal “Coração de Dragão” (1996)? O dragão é inteiramente digital e sinceramente acho que ele se destaca muito mais que o próprio matador de dragões. Ok, eu concordo que este é um caso à parte, já que se trata de um monstro que não poderia ser interpretado por um ator real e neste caso ainda temos a voz do grande Sean Connery para dar mais força ao dragão. Vamos tratar então de personagens virtuais que poderiam ser interpretados por atores vivos.
“Foram quase trinta anos de espera, mas valeram a pena” – foi o que me falou um amigo maníaco por Star Wars ao ver Yoda abrindo seu manto e tirando seu sabre de luz (personalizado!). Quem pode dizer que Yoda não é importantíssimo na história e que não “atuou” muito bem no Episodio II (2002)? Nós acreditamos na velhice do grande mestre Jedi, vemos sabedoria em sua voz – mesmo esta sendo digital – e preferimos sua “interpretação” que a do péssimo Anakin Skywalker (Hayden Christensen)...
“Meu preciosso”. Quem não se lembra do memorável Gollum ou seria Sméagol? Aqui, simplesmente ninguém pode dizer que estou errado, pois é sem duvida uma das maiores atuações do filme “O Senhor dos Anéis – As Duas Torres” (2002). As duas personalidades deste grande personagem são contrárias, extremas e impressionantes para qualquer pessoa que esteja assistindo a este épico. Simplesmente não sabemos se o odiamos ou se sentimos pena, mas a grande questão é que ele é todo feito no computador (apenas alguns movimentos foram baseados em gravações de um ator). Ou seja, você sinceramente prefere Gollum ou Faramir (pessimamente caracterizado nas telonas)?
Ainda não convencido? Que tal o Hulk (2003)? Não foi um primor de efeito especial, mas o verdão destrói tanques, assusta a todos e na minha opinião convence sim como um ser real. Queria ver você dizendo que foi um péssimo efeito se o visse num beco escuro...
Então, eu pergunto ao leitor: “Os atores virtuais poderão substituir os reais?”. Como é bem colocado no filme Simone, progressivamente os atores reais vão ficando mais caros, enquanto os artificiais vão ficando mais baratos e reais. Seguindo esta lógica, será isto cada vez mais normal? Teremos atores virtuais nos principais papéis? Ou filmes inteiramente de atores virtuais, mas que quer ser como um filme normal? Ou teremos uma reação? A arte irá reagir a tudo que a ciência lhe oferece e tentará se virar sozinha?
A grande verdade é que realmente não dá para se prever muito sobre o futuro, pois, como eu já disse em minha coluna, ele a Deus pertence, mas podemos supor algumas coisas: os atores virtuais dificilmente ganharão papeis principais nos filmes, pois eles não têm nome, fama ou mesmo uma vida pública para se criarem especulações! ;) Ou seja, por mais que possa até ser mais barato criar um personagem que contratar um ídolo, certamente o ídolo rende muito mais. Gollum pode ser carismático da sua própria forma, mas será que ele é capaz de fazer uma interpretação mediana e ainda assim ser extremamente ao dizer frases chavões como “Hasta la vista, Baby” e “I’ll be back”? Assim, acredito que pelo menos por uns 10 anos não precisamos nem pensar muito nisso, mas considerando que o velho Arnold é o mais cotado para ser o governador da Califórnia, eu acho que tudo é possível.
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